Retorno às aulas presenciais acende alerta também para saúde mental de crianças
Medo do vírus e mudança de rotina podem afetar alunos durante retomada
As aulas presenciais foram retomadas em formato de revezamento em quase todo território alagoano. Em meio aos protocolos sanitários contra a Covid-19 e meses de preparo, a rede estadual de ensino abriu as portas para os alunos na última segunda-feira (16), na próxima semana será a vez do município de Maceió e as unidades particulares já estavam autorizadas a funcionar presencialmente desde o início do ano.
Mas, ainda sim, a decisão de mandar os filhos de volta ao ensino presencial precisa ser pensada, principalmente quando o assunto é saúde mental. É o que disse a psicóloga e psicopedagoga, Patrícia Nayara, em entrevista ao 7Segundos.
Ela explica que crianças e adolescentes desenvolveram transtornos, como ansiedade e Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) por causa do medo do vírus e do isolamento social.
“A criança absorve tudo que está acontecendo. Algumas têm dificuldade de separar o que é realidade e o que é fantasia. Assistem e escutam comentários sobre a doença e acabam assustadas, algumas desenvolvem transtornos”.
Por isso, é preciso avaliar cada caso, cada aluno. Para Patrícia Nayara, se a decisão for para retomar as aulas presenciais é importante deixá-las confortáveis e dar o exemplo dentro de casa.
Além disso, a psicopedagoga ressalta a importância de ensinar os protocolos para se proteger do vírus aos mais novos, no entanto, explica que é preciso compreensão se a criança comete erros.
“É importante deixar claro para as crianças que não são os humanos que são perigosos e sim o vírus. A criança pode começar a sentir medo de outra criança, associar que o coleguinha é uma pessoa perigosa. Ela pode pegar essa informação, de ter medo de pessoas, e levar para o resto da vida”, explica.

Os pais e responsáveis também precisam estar preparados para quebras constantes de rotina, pois as aulas estão acontecendo em formato híbrido. No caso da rede estadual de ensino, por exemplo, 50% dos alunos de cada turma estão se revezando entre as atividades na escola e no ensino remoto.
“Isso mexe com toda a estrutura da família. É uma rotina que muda a cada semana. Os pais precisam ponderar se eles conseguem se adaptar a isso. Em casa, mesmo que seja uma semana sim e outra não, é importante brincar com a criança e diminuir ao máximo o uso de telas”.
Procurada pelo 7Segundos, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) informou que a orientação é que esses pais procurem a direção das escolas para entender qual é o melhor jeito de tratar cada caso. Também é importante que levem atestados, caso a criança já esteja passando por algum tratamento.

Prejuízo ou risco
Patrícia Nayara explica que ainda não há estudos que digam especificamente o quanto as crianças e adolescentes foram afetadas pelo isolamento social e aulas remotas, mas já é possível saber alguns danos através de estudos anteriores com situações análogas.
Um exemplo é a orientação da Organização Mundial de Saúde de que crianças com idades entre dois e cinco anos podem olhar a tela por até uma hora por dia. Já a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) diz que crianças com idades entre seis e dez anos podem ficar em frente às telas no máximo entre uma e duas horas por dia.
Só o horário das aulas online já ultrapassa esse limite
“Pode acarretar em dependência das telas. As crianças precisam de contato social. Outros prejuízos são a obesidade, a hipotonia muscular infantil, atenção prejudicada, raciocínio lento, atrasos na fala de crianças menores, entre outros”.
No entanto, a psicopedagoga explica que não é preciso se desesperar. “A gente precisa pensar a relação custo-benefício. É importante garantir a vida durante a pandemia. As consequências podem ser resolvidas depois. Toda uma geração será prejudicada e todos vão precisar lidar com isso”.
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