Delegado explica como agem as quadrilhas que tentam fraudar concursos públicos
7Segundos conversou com o coordenador da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic), Gustavo Xavier
A rotina de um concurseiro é repleta de aulas, livros, PDFs, videoaulas e tempo para poder estudar todos os conteúdos, sejam os do edital ou os que têm a maior probabilidade de cair, antes da divulgação dos assuntos. Sem contar que são meses, às vezes até anos, de preparo para a prova, que dura, em média, quatro horas.
Mas também existem aqueles que pulam todo esse processo seja porque pretendem apenas ter "experiência" na hora de fazer o teste, ou porque têm outros planos de como tentar ser aprovado, por meio de fraudes. Pontos eletrônicos, smartwatches ou celulares, existem diversos meios de tentar burlar o sistema.
Em agosto, começou a "maratona" de provas de concursos do Governo de Alagoas, com provas para o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar e Polícia Civil. Neste mês, ao todo, foram mais de 129 mil inscritos somando os três certames.
Dentre esses, começaram a surgir denúncias de fraudes nas provas. No dia 30 de agosto, cinco pessoas foram presas acusadas de integrar um grupo criminoso que atuava de maneira interestadual. Eles usavam pontos eletrônicos na hora da prova da PC.
Depois, quando saiu o resultado do concurso da PM, a polícia recebeu uma denúncia de um homem que estava com o som alto, no bairro da Santa Lúcia, parte alta de Maceió. Ele estava comemorando a aprovação, mas, ao ser levado à delegacia, foi constatado que tinha sete passagens pela polícia e só cursou até o quinto ano do ensino fundamental.
Willamys Dias Soares ficou entre os primeiros colocados para o cargo de soldado, acertando 100 de 120 questões e deixando 20 em branco. Aos agentes, ele teria se declarado semianalfabeto.
O portal 7Segundos entrou em contato com o delegado e coordenador da Divisão Especial de Investigações e Capturas (Deic) em Alagoas, Gustavo Xavier, para saber um pouco mais como é feito o trabalho de prevenção de fraudes por meio da polícia.
Como são feitas as ações de precaução?
"A polícia faz um acompanhamento das organizações criminosas, que todos os dias se reinventam. Temos contato com a comissão organizadora, para fazermos um trabalho de inteligência. A gente também identifica pelo histórico de pessoas que já fraudaram ou de quem tem contatos com organizações deste tipo. Quando necessário, chamamos o suspeito em questão na hora da prova para fazer uma revista".
Este tipo de fraude, com ponto eletrônico, acontece com frequência? Quais são os outros métodos mais usados?
"Se tratando do modus operandi dos criminosos, nem a própria comissão organizadora tem conhecimento de todas as modalidades. Tem o ponto, tem os relógios inteligentes, celulares que recebem respostas de acordo com o toque da vibração, entre outros. O ponto eletrônico é mais moderno e permite diversas formas de passar a informação. Esses são só alguns exemplos".
Foram feitas investigações preliminares para descobrir essas últimas fraudes?
"O da PM foi descoberto daquele jeito, né, por causa da 'comemoração'. O da Civil a gente conseguiu evitar. Mas sempre temos equipes prontas no lugar certo, que fizeram buscas e conseguiram pegar os flagrantes".
Ironicamente, os dois casos que mais ganharam notoriedade neste sentido foram em provas para cargos da polícia (Civil e Militar). Você diria que é mais provável que as fraudes aconteçam neste tipo de prova?
"Acredito que não. Acho que essas tentativas acontecem mais em concursos que possuem um número grande de vagas, independente da área em que a prova é feita, uma vez que, teoricamente, com uma quantidade maior de cargos, a fiscalização ficaria mais difícil".
Hipoteticamente falando, caso estas pessoas passassem no concurso e assumissem os cargos, qual seria o procedimento quando fossem descobertos?
"Não tenho conhecimento se isso já aconteceu. Mas, caso a gente não tenha esse controle, o concurso deve ser anulado. Se no futuro, após a posse, identificarmos algo suspeito, vamos sugerir a exoneração do cargo e a pessoa ainda responderia criminalmente".
Qual tipo de punição para este crime?
"A pena vai de um a quatro anos de prisão. Se houver algum prejuízo à administração pública, pode chegar a oito anos. Se a pessoa fizer parte de uma organização criminosa, pode ir a 10 ou 15 anos, que ainda podem ser superados se forem constatados outros agravantes. Além disso, o suspeito ficará proibido de prestar concurso por um tempo que deve ser determinado pelo juiz do caso."
Além do caso de Willamys, mais de 150 pessoas no município de União dos Palmares estão sendo acusadas de compra de gabarito. Entre elas estão filhos de políticos influentes da região. Todos tiraram a mesma pontuação na prova.
Agora, o Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL) informou que aguarda a conclusão do inquérito da Polícia Civil para investigar a suposta fraude no concurso da Polícia Militar. E, nesta semana, o secretário de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio, Fabrício Marques, anunciou a suspensão do certame por tempo indeterminado, para a apuração das denúncias.
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