Jogador esfaqueado por dirigente presta depoimento à polícia e deve voltar à cidade natal
O contrato dele com o clube já expirou, uma vez que era apenas para disputar um campeonato
O jogador do FF Nova Cruz, João Guilherme, conhecido como "cabelinho", prestou depoimento à Polícia Civil no final da tarde dessa quarta-feira (06), no Pilar, na Região Metropolitana. Ele foi vítima de uma tentativa de homicídio feita por um dos diretores do clube, identificado como Wanderson, que o esfaqueou três vezes por ter ido a uma festa de São João na véspera do treino.
O contrato dele com o clube já expirou, uma vez que era apenas para disputar um campeonato. Agora, João deve voltar à sua cidade natal, no estado da Paraíba. Após o crime, outros jogadores também saíram da cidade. Eles também estava com salários atrasados.
"A vítima ainda estava debilitada, veio acompanhado da mãe e de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Estava de maca. Como uma das facadas foi no pescoço, ele provavelmente teve algum problema nas cordas vocais, visto que estava afônico quando veio. Daqui seguiu para o Instituto Médico Legal (IML), para fazer o exame de corpo de delito", relatou o delegado responsável pela investigação, Ronilson Medeiros.
Segundo o delegado, a mãe do jovem de 21 anos teria dito que o médico recomendou que ele ficasse 90 dias em casa, sem fazer movimentos. No depoimento, João disse que estava dentro do ônibus e foi enxotado pelo dirigente, que disse "bora acertar a dívida que você tem comigo"; quando ouviu um funcionário do clube avisá-lo que o Wanderson tinha ido buscar uma faca.
"Pelo fato do local do crime ser uma ladeira, a vítima tropeçou e foi atingida pelo suspeito com a faca. A arma do crime foi apreendida e identificada por uma das funcionárias da cozinha do clube. O dirigente ainda manteve contato com o presidente do clube, para informar do ocorrido. O gestor já foi ouvido, mas Wanderson ainda não", contou.
Ronilson aconselhou o suspeito a se apresentar na delegacia para prestar depoimento, já que é réu primário e para evitar se tornar foragido. De acordo com testemunhas do dia a dia no clube, ele era uma pessoa violenta e agressiva, que também controlava a comida dos jogadores no alojamento, mas essas informações não chegavam ao presidente.
"Não achamos antecedentes criminais em Alagoas, porém, ele passou por outros estados, como Pernambuco e Paraíba, nestes ainda estamos checando. Mas se ele se entregar, é algo que vai amenizar a situação judicial", detalhou o delegado.
Wanderson deve responder por tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil. A polícia pede que quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro dele vá à delegacia ou denuncie pelo telefone 181.
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