Para Lula, nomeação dele como ministro de Dilma não evitaria impeachment
Em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o governo de Dilma Rousseff tinha "entrado numa situação tão delicada que era impossível voltar"
Em entrevista exclusiva à CNN nesta quinta-feira (16), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse não acreditar que a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes que suspendeu sua nomeação como ministro da Casa Civil durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff tenha sido definitiva para o impeachment que ela sofreu.
“Eu na verdade acho que o governo tinha entrado numa situação tão delicada que era impossível voltar”, disse Lula.
Em março de 2016, Lula chegou a tomar posse como ministro-chefe da Casa Civil, mas a decisão de Gilmar Mendes suspendeu sua nomeação de forma definitiva. Na decisão, o ministro do STF disse que havia indícios de que a nomeação para o cargo fosse uma tentativa de mudar o foro por prerrogativa de Lula em meio às investigações sobre ele na operação Lava Jato.
Lula disse que foi relutante em aceitar o cargo de ministro por já ter sido Presidente da República anteriormente. “Eu dizia para a Dilma naquela época que não era possível ter dois presidentes dentro do Palácio do Planalto, aquilo foi feito para um presidente, não foi feito para dois.”
O presidente disse que Dilma Rousseff insistiu em sua nomeação, e que ele mudou de ideia e aceitou o cargo após uma conversa com Nelson Barbosa, ministro da Fazenda na época, na qual os dois falaram sobre mudar a política econômica do país.
Lula falou que a gravação de uma conversa telefônica de Dilma divulgada na época, na qual ela falava que estava mandando os papéis para Lula assinar, “foi um crime”. “A publicação foi mais um crime, mas isso já passou também, já faz parte da história”, disse o presidente.
Em outro momento da entrevista, quando questionado sobre a possível indicação de Dilma Rousseff para a presidência do Banco dos Brics, Lula reafirma a competência técnica da ex-presidente e diz: “Talvez se eu não tivesse sido presidente, e tivesse sido ministro da Dilma, não tivesse acontecido o que aconteceu. Faltou um pouco de conversa, um pouco de paciência.”
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