Aéreas participam de grupo de trabalho do governo e apoiam programa de passagens até R$ 200
Programa Voa Brasil começa no 2º semestre com foco em aposentados de baixa renda, confirmou Portos e Aeroportos à CNN
As três maiores companhias aéreas em operação no Brasil, Gol, Latam e Azul, participam de grupo de trabalho do governo para desenvolver programa que oferecerá passagens aéreas com valores promocionais, de até R$ 200.
Em posicionamento à CNN, as três empresas declaram apoio ao “Programa Voa Brasil”, que tem previsão de início para o segundo semestre deste ano.
A Gol indicou estar “à disposição para contribuir com a viabilização do projeto”; a Latam destacou que o programa “vai na direção de aumentar de forma sustentável as viagens de avião no País; e a Azul disse “ver como positiva a iniciativa”.
O Ministério de Portos e Aeroportos confirmou à CNN que o primeiro estágio do programa terá como foco atender aposentados que recebam até dois salários mínimos e que não tenham voado nos últimos doze meses.
As passagens serão oferecidas por valores promocionais em horários e datas definidos pelas companhias aéreas, segundo a pasta.
Especialistas comentam iniciativa
O “Programa Voa Brasil” parte da ideia de diminuir assentos ociosos nas aeronaves. Atualmente a ociosidade em voos ronda a casa dos 20% no Brasil, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Em abril de 2023, o dado ficou em 22,4%.
Cristina Helena de Mello, professora de economia da ESPM, reitera a tese da diminuição dos preços. “O transporte aéreo se caracteriza por custos fixos elevados. Nestes casos, a redução da ociosidade, por ampliar o rateio do custo fixo, permite a redução de preços”, explica.
Para a economista e professora da FGV Carla Beni, o programa poderia gerar um cenário de ganho a todas as partes envolvidas: os consumidores teriam preços mais acessíveis, as empresas diminuiriam sua ociosidade, e o governo expandiria seu capital político.
A especialista destaca, contudo, que a dinâmica de funcionamento do programa definirá seu sucesso e vê negativamente a inclusão de subsídios.
“É muito importante que o programa seja feito sem nenhum subsídio, porque não há necessidade, já que a empresa tem essa capacidade ociosa. A ideia é divulgar para as pessoas os horários e datas que interessam à companhia aérea, para que ela diminua ociosidade”, aponta.
A professora da ESPM também vê negativamente a possibilidade de o programa envolver qualquer tipo de subsídio, por isso destaca que o valor de R$ 200 não deve ser uma “limitação” ao projeto.
“Quando a comercialização das passagens neste valor ocorrer não como otimização de espaços ociosos, mas, como redutor de receitas, será necessária uma complementação na forma de subsídio ou os custos serão rateados por um grupo menor e, portanto, haverá encarecimento de outras passagens”, explica.
“Portanto, é essencial que o valor possa ser praticado como discriminação de preços apenas em casos de ociosidade, o que otimizaria a receita”, completa.
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