Ex-diretor da Abin pede ao STF que depoimento sobre 8 de janeiro seja em sessão secreta
Saulo Moura da Cunha foi convocado para depor na CPMI como testemunha em 1º de agosto
A defesa do ex-diretor adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Saulo Moura da Cunha pediu, nesta segunda-feira (31), ao Supremo Tribunal Federal (STF), que seu depoimento sobre fatos relacionados ao 8 de janeiro seja feito em uma sessão secreta no Congresso.
Moura da Cunha foi convocado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura os ataques às sedes dos Três Poderes. A oitiva está marcada para esta terça-feira (1º), na condição de testemunha.
Moura da Cunha ocupava o cargo de diretor-adjunto da agência no dia 8 de janeiro e permaneceu à frente da pasta até 2 de março. Os principais questionamentos a serem feitos ao ex-diretor são relacionados aos relatórios enviados pela Abin ao governo federal nas vésperas do ataque.
No pedido ao STF, a defesa dele pede que o depoimento seja prestado à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência (CCAI) a portas fechadas.
O colegiado permanente do Congresso tem competência para fiscalização externa da atividade de inteligência no país.
Moura da Cunha é representado no pedido ao STF por dois integrantes da Advocacia-Geral da União (AGU). Segundo os advogados, como as informações a serem prestadas pelo ex-diretor dizem respeito a atividades de inteligência, “mostra-se evidente que o órgão que detém a atribuição legal e normativa para ouvi-lo é a CCAI”.
“Como não pode o Paciente escusar-se de comparecer à CPMI para prestar depoimento, solicita ele a este Egrégio Tribunal que seja deferido que seu depoimento se dê no âmbito da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência — CCAI, a portas fechadas, de forma secreta, em obediência a tudo que dispõe a legislação e as normas sobre o assunto, que serão expostas logo a seguir”.
Caso o pedido não seja atendido, a defesa requer que a sessão da CPMI do 8 de janeiro destinada a ouvir o ex-diretor seja realizada a portas fechadas, “de forma secreta e sigilosa, de modo a se resguardar a sua pessoa, bem como de outros servidores da ABIN envolvidos com os assuntos objeto de investigação, inclusive na sua entrada e saída da referida sessão”.
A defesa de Moura da Cunha ainda pediu ao Supremo que seja garantido o direito de guardar sigilo em determinados assuntos “a respeito dos quais não possa se manifestar em razão do exercício profissional e/ou funcional” para evitar sanções decorrentes da sua função.
Conforme os advogados, o comparecimento de Moura da Cunha na CPMI encontra obstáculos “em virtude de dispositivos legais e normativos, fundados em mandamentos constitucionais, que garantem ao servidor da Abin deveres de sigilo profissional e/ou funcional”. Segundo a defesa, o sigilo alcança tanto os conhecimentos produzidos e obtidos no exercício da função, quanto com relação à sua própria identidade.
“Desta forma, entende-se que, mesmo em depoimento a uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, não poderia o servidor ora Paciente, sob pena de responsabilização administrativa, civil e penal, deixar de manter sigilo das informações que tenha conhecimento ou acessado sobre atividades e assuntos de inteligência produzidos, em curso ou sob custódia da ABIN, o que, certamente, envolve os atos ora objeto de investigação por parte desta CPMI”, afirmaram os advogados.
Saulo Moura da Cunha ingressou na Abin em 1999 e já exerceu diversas funções na agência. Segundo informações do governo federal, antes de ser nomeado para integrar o Grupo Técnico de Inteligência Estratégica da equipe de transição do novo governo, exercia o cargo de coordenador-geral de Relações Institucionais e Comunicação Social da Abin.
Ao deixar a diretoria da Abin, ele assumiu a chefia da assessoria especial de Planejamento e Assuntos Estratégicos do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), mas foi exonerado no começo de junho.
A justificativa do GSI para a demissão, na época, foi um “processo de reestruturação” no órgão.
Últimas notícias
Lula proíbe vinda de Beattie ao Brasil após EUA 'bloquearem visto de Padilha'
Homem conhecido como 'Jai' morre em confronto com a polícia em União dos Palmares
Francisco Sales anuncia pré-candidatura para disputar as eleições de 2026
Chinesa de 68 anos quebra estereótipos com talento no skate
Paciente despenca de teto de hospital durante tentativa de fuga no RJ
Patrícia Poeta engasga ao vivo após revelação de Tony Tornado
Vídeos e noticias mais lidas
Carlinhos Maia é condenado a pagar R$ 200 mil por piada sobre má-formação óssea
Subcomandante de unidade da PM de AL é denunciado por agredir a esposa, também policial militar
Secretário da Fazenda de Maceió cria dificuldades para pagar fornecedores
Planalto confirma 13º infectado em comitiva com Bolsonaro
