75% dos Municípios alagoanos fecham o primeiro semestre com as contas no vermelho
Em 2022, no mesmo período, eram 6% dos respondentes da pesquisa realizada pela CNM
Com aumento de despesas e diminuição de receitas, gestores locais, das cinco Regiões do Brasil, relatam dificuldades para fechar as contas. A nível nacional, 51% das prefeituras brasileiras estão no vermelho. Em Alagoas, 40 Municípios de 53 que enviaram dados ao Siconfi encerraram o primeiro semestre de 2023 com déficit, o que representa 75%. Em 2022, no mesmo período, eram 3 (6% dos respondentes). Os dados são da Confederação Nacional de Municípios (CNM), divulgados nesta quarta-feira (30).
Isso significa que o percentual de comprometimento da receita está alto. Em Alagoas, a cada R$ 100 arrecadados nos pequenos Municípios, R$ 98 foram destinados a pagamento de pessoal e custeio da máquina pública. “Estamos em diálogo com as autoridades em Brasília e já alertamos. Muitos não veem o que está acontecendo na ponta, mas o problema é grave. Isso é também resultado de despesas criadas no Congresso e pelo governo federal sem previsão de receitas, como os pisos nacionais, caindo toda a demanda no colo dos Municípios”, avalia o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
Entre as despesas que oneram os cofres das prefeituras alagoanas estão, por exemplo, recomposições salariais de servidores municipais, o impacto de reajuste do piso do magistério, que, se concedido como foi imposto pela União, soma R$ 417,2 milhões, e o atraso no pagamento de emendas parlamentares. A redução em emendas de custeio – do primeiro semestre de 2022 para o mesmo período de 2023 – é de quase 81%, passando de R$ 346 milhões para R$ 66,3 milhões. No total de emendas, a queda foi de R$ 404,4 milhões para R$ 99 milhões para o Estado.
Enquanto as despesas de custeio tiveram aumento de 36,9%, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) apresenta mais decêndios menores do que o mesmo período de 2022. No primeiro decêndio de julho, por exemplo, houve uma queda brusca de 34,49% no repasse. Em agosto, a queda foi de 23,56%, explicada por uma redução na arrecadação de Imposto de Renda e um lote maior de restituição por parte da Receita Federal.
Além disso, os gestores de Alagoas enfrentam o represamento de 878,9 mil procedimentos ambulatoriais e 70,6 mil procedimentos hospitalares durante a pandemia, sendo necessários R$ 107,2 milhões para equacionar a demanda; 200 programas federais com defasagens que chegam a 100%; 123 obras paradas e abandonadas por falta de recursos da União; e obras concluídas com mais de R$ 91,2 milhões em recursos próprios sem repasse do governo federal.
Propostas
Para reverter a sobrecarga de serviços que recai sobre os Entes locais sem a correta alocação de recursos, a CNM atua por medidas que possam distribuir de forma mais efetiva as receitas do país. Uma delas é o aumento de 1,5% no FPM de março, que tramita na PEC 25/2022, e, se aprovada, representará R$ 264,7 milhões. Há ainda a redução da alíquota patronal do INSS para 8% em Municípios de até 156 mil habitantes (PL 334/2023), a recomposição do ICMS (PLP 94/2023), com R$ 51 milhões aos cofres municipais, e o fim do voto de qualidade do Carf (PL 2384/2023), com potencial de injetar R$ 694 milhões no FPM, entre outros.
Últimas notícias
BNI Alagoas lança novo grupo em Maceió; capítulo Laguna será apresentado no Hotel Jatiúca
Ex-vereadora Vicka Pacheco pega atestado médico do RJ e mostra disposição para atividades políticas
Gringo viraliza ao listar os “perigos” de visitar Minas: “Não venha”
Nike presenteia família em luto com tênis preferido da mãe falecida
Foragido há 28 anos e suspeito de feminicídio são presos em operação no sul de AL
“O governo arrecada cada vez mais tirando dinheiro do bolso do trabalhador e dos empresários”, critica Francisco Sales
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem é expulso após ser flagrado se masturbando dentro de academia de Arapiraca
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
