Hospital Universitário nega atendimento a paciente falciforme
Nos últimos dias, Elifabiana procurou o HU e o Hemoal por diversas vezes, mas não obteve o tratamento médico-hospitalar necessário
Portadora da Anemia Falciforme, uma doença genética e hereditária caracterizada por uma mutação no gene que produz a hemoglobina (HbA), Elifabiana Araújo, de 50 anos, está há dias com fortes dores e sem conseguir atendimento médico-hospitalar devido a negativa do Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes. Desde a semana passada, Elifabiana vivencia um verdadeiro jogo de empurra entre o HU e o Hemoal, e até que eles se decidam quem deverá atendê-la, a paciente sofre.
O HU era o hospital referência no Estado de Alagoas para tratar os casos de pacientes em crise com a doença falciforme, no entanto, após a mudança na gestão, no local são realizadas apenas as consultas (tratamento ambulatorial) e o tratamento das intercorrências nas crises falciforme foi interrompido. Logo, todos os pacientes foram orientados a procurar o Hemoal.
Porém, a paciente Elifabiana Araújo, que desde os 11 anos de idade sofre com fortes dores nas articulações e crises intensas que culminaram em várias internações, possui as veias periféricas com dificuldade de acesso e para facilitar a administração de medicamentos na corrente sanguínea sem a necessidade de puncionar veias dos braços, foi preciso realizar a implantação total de um cateter, muito comum em casos de pacientes que precisam de um tratamento de longa duração. O fato é que esse cateter totalmente implantado não pode ser manuseado por todo profissional e nem em locais como UPA ou Unidade Básica de Saúde.
“O meu cateter não pode ser manipulado por qualquer pessoa, é um cateter que necessita de uma manipulação especial, por um enfermeiro habilitado e é preciso ter um material específico. A agulha que eu uso não vende em farmácia ou casa do médico, por exemplo, é uma agulha exclusivamente hospitalar e adquirida por CACON. Por conta dessa particularidade, eles me mantiveram no Hospital Universitário para fazer a manutenção do cateter e receber o tratamento durante as crises. Mas, esse tratamento tem sido interrompido com frequência”, informou a paciente.
Nos últimos dias, Elifabiana procurou o HU e o Hemoal por diversas vezes, mas não obteve o tratamento médico-hospitalar necessário. O Hospital Universitário diz que, em casos de crise, ela deve procurar o Hemoal, e o Hemoal fala que não tem condições de atender a paciente devido a falta de pessoa especializada para manusear o cateter, e sem o tratamento adequado, a paciente não consegue sair da crise. Para se ter uma ideia, as dores da crise de um paciente falciforme são tão fortes que, muitas vezes, nem morfina consegue minimizar.
Diante dessa situação, a paciente encontra-se preocupada e inconformada com a falta de assistência médica. No momento, passa por uma nova crise e sem receber o atendimento devido. Vale ressaltar que a paciente ingressou com um mandado de segurança na Justiça Federal e recebeu parecer favorável do Ministério Público Federal devido à sua condição particular.
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