Flávio Dino será a voz de Lula dentro do STF. E voz alta
É o que Lula espera de Flávio Dino, além de fidelidade nas votações. A aposta é que ele será capaz de rivalizar com Gilmar Mendes e Moraes
A indicação de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal desfaz qualquer ilusão ainda resistente nas almas cândidas de que a mais alta instância do Judiciário brasileiro não é política.
Esta é a aposta de Lula: a de que, uma vez nomeado ministro do STF, Flávio Dino será um protagonista capaz de rivalizar com Gilmar Mendes ou com Alexandre de Moraes, quando e se isso for necessário. Um protagonista eficiente do lulismo, sem qualquer outra agenda que não seja a de defender os interesses imediatos e as premissas ideológicas de quem o indicou.
Não se trata apenas de mostrar fidelidade a Lula nas votações, condição essencial que só o indicado pelo presidente Dias Toffoli não cumpriu integralmente, embora já tenho feito o seu mea-culpa. Trata-se de promover um “embate político” dentro do tribunal, como o próprio Lula vem dizendo a aliados — embate que visa a sobrepujar a influência dos outros protagonistas, conjunto que inclui também Luis Roberto Barroso. (Gilmar Mendes engoliu Flávio Dino, mas queria mesmo era um homem seu no STF, Bruno Dantas. Em troca, levou a PGR, com Paulo Gonet como indicado, nome preferido também de Alexandre de Moraes.
Por mais que, neste momento, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e mesmo Luis Roberto Barroso se mostrem alinhados ao governo, Lula não pode confiar inteiramente em nenhum deles. Seja porque provenientes de outras extrações políticas — Gilmar Mendes, do PSDB; Alexandre de Moraes, do PMDB —, seja por ter convicções pessoais próprias, caso de Luis Roberto Barroso, o lulismo não tem nesses ministros um porto seguro e muito menos voz própria.
Com Flávio Dino no STF, o presidente da República contará com esse porto e terá essa voz. A ver — ou melhor, a ouvir — o grau de estridência que o indicado por Lula usará no embate político, tanto para dentro como para fora do tribunal. Pelo que se conhece da personalidade de Flávio Dino, e pelo fato de ele ter sido político de palanque com mandato eletivo, a estridência deverá ser grande. Teremos mais um ministro do STF falando — ou gritando — fora dos autos, mas agora em nome do presidente da República, sem necessidade de acordos ou intermediações.
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