Dólar sobe mais de 1% e se reaproxima de R$5,50 sob influência de exterior e Campos Neto
A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 1,34%, cotada a 5,4862 reais
O dólar à vista subiu mais de 1% nesta terça-feira e se reaproximou dos 5,50 reais, em um dia marcado pela busca global por ativos mais seguros, por ajustes técnicos no Brasil e por declarações consideradas mais brandas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a política monetária.
A moeda norte-americana à vista fechou em alta de 1,34%, cotada a 5,4862 reais. Em agosto, no entanto, a divisa acumula queda de 3%.
Às 17h12, na B3 o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 1,28%, a 5,4865 reais na venda.
O dólar avançou ante o real durante toda a sessão, influenciado por um conjunto de fatores.
No exterior, a moeda norte-americana também subia ante o peso mexicano e o rand sul-africano -- moedas pares do real -- e cedia ante o iene, o euro e a libra.
"É o voo para a qualidade", resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, pontuando que os investidores se mostraram mais cautelosos antes da agenda do restante da semana, que tem a divulgação da ata do último encontro do Federal Reserve, na quarta-feira, e o discurso do chair do Fed, Jerome Powell, na sexta-feira.
De acordo com Diego Costa, head de câmbio da B&T Câmbio, o mercado estará atento em especial às palavras de Powell, em busca de pistas sobre o futuro dos juros nos EUA.
"O dólar se recuperou hoje, voltando a se aproximar dos 5,50 reais, em um movimento que não se restringiu ao real, mas se estendeu a outras moedas de mercados emergentes", disse Costa em comentário enviado a clientes. "Esse fortalecimento da moeda norte-americana reflete um movimento mais amplo de aversão ao risco, e é parcialmente impulsionado pelas incertezas em torno das próximas decisões de política monetária nos Estados Unidos."
No Brasil, participantes do mercado também aproveitavam os recuos mais recentes do dólar para ajustar posições e realizar parte dos lucros, o que dava sustentação às cotações.
Além disso, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de curto prazo cederam, com investidores reduzindo as apostas de que o Banco Central elevará a taxa básica Selic, hoje em 10,50% ao ano, em setembro. A perspectiva de uma Selic não tão elevada -- o que torna o Brasil um pouco menos atrativo ao capital estrangeiro -- também deu força ao dólar ante o real.
"Se o BC não aumentar a Selic, ainda existe um diferencial bom de juros para o Brasil, mas não tão bom quanto se aumentar. Isso também pegou no câmbio hoje", disse Rugik.
Por trás do movimento no mercado de DIs esteve a percepção de que Campos Neto foi mais brando ao tratar de política monetária em uma entrevista ao jornal O Globo. Nela, Campos Neto repetiu uma mensagem recente de autoridades do BC, de que a autarquia subirá a Selic se for necessário, mas ponderou que o cenário internacional melhorou.
Campos Neto também disse, conforme O Globo, que os economistas não estão prevendo alta de juros para 2024, mas o mercado sim, acrescentando que é preciso ter "calma" e "cautela" nos momentos de volatilidade.
Neste cenário, o dólar à vista oscilou entre a mínima de 5,4344 reais (+0,39%) às 9h01, logo após a abertura, e a máxima de 5,4935 reais (+1,48%) às 15h55.
No exterior, às 17h11, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,46%, a 101,400.
Pela manhã o Banco Central vendeu todos os 12.000 contratos de swap cambial tradicional em leilão para fins de rolagem do vencimento de 1º de outubro de 2024.
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