Lula critica estrutura da ONU e pede reformas em discurso na Cúpula do Futuro
Lula ainda expressou preocupação com a execução da Agenda 2030 da ONU, chamando-a de "o maior empreendimento diplomático dos últimos anos"
Em seu discurso na abertura da Cúpula do Futuro da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente a estrutura atual dos principais órgãos internacionais, como a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança, e defendeu a necessidade de "transformações estruturais" para resolver o que chamou de "crise da governança global". Lula destacou que muitos desses órgãos "carecem de autoridade e meios de implementação" para garantir a efetividade de suas decisões.
Lula afirmou que a Assembleia Geral perdeu relevância e que o Conselho Econômico e Social foi esvaziado, enquanto a legitimidade do Conselho de Segurança é cada vez mais questionada, especialmente quando adota "padrões duplos" ou se omite diante de graves crises internacionais. Ele ainda mencionou a pandemia, os conflitos na Europa e no Oriente Médio, a corrida armamentista e as mudanças climáticas como exemplos que expõem as limitações das instituições multilaterais.
O presidente também ressaltou a sub-representação do Sul Global, dizendo que essa região não tem voz condizente com sua relevância política atual. Uma das principais demandas de Lula, que já foi defendida em seus mandatos anteriores, é a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Atualmente, o órgão é composto por 15 membros, sendo cinco permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França – com poder de veto.
Lula ainda expressou preocupação com a execução da Agenda 2030 da ONU, chamando-a de "o maior empreendimento diplomático dos últimos anos", mas alertou que, ao ritmo atual, apenas 17% das metas serão atingidas dentro do prazo. Segundo ele, a falta de firmeza da comunidade internacional em promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável pode transformar a Agenda 2030 em "nosso maior fracasso coletivo".
Por fim, o presidente mencionou a adoção do "Pacto para o Futuro", um documento que propõe reformas no sistema multilateral e trata de temas como a dívida dos países em desenvolvimento e a tributação internacional. Lula, no entanto, afirmou que, apesar dos avanços, ainda faltam "ambição e ousadia" para enfrentar os desafios globais.
*Estagiário sob supervisão
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