TV estatal russa exibe mapa com cidades europeias que poderiam ser alvos de ataque nuclear
Tensão aumentou desde que Joe Biden autorizou Ucrânia a usar mísseis de longo alcance contra o território da Rússia
A autorização do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para que a Ucrânia utilize mísseis americanos ATACMS, de longo alcance, contra a Rússia tem motivado discussões entre os russos sobre a possibilidade do uso de armas nucleares no conflito, inclusive contra aliados dos ucranianos, no caso, os europeus.
Em um programa da Companhia Estatal de Televisão e Radiodifusão de Toda a Rússia, exibido depois do anúncio de Biden, o apresentador diz: “Não é difícil supor a geografia da resposta no caso de o breve comunicado de imprensa da Casa Branca se tornar realidade”.
Um mapa mostra quais seriam os potenciais alvos do armamento se o armamento nuclear russo for posicionado em Kaliningrado, enclave russo entre a Polônia e a Lituânia.
“Berlim, Varsóvia, todos os países bálticos, Paris, Bucareste e Praga. Claro, as bases americanas na Alemanha – Garmisch, Spangdahlem, Patch Barracks, Ramstein. Atenção especial será dada à Grã-Bretanha, ao nosso inimigo tradicional, já que uma parte significativa da Frota do Norte será direcionada contra ela”, afirma o âncora do programa Vasti.
O apresentador continua, dizendo que o Reino Unido está “em seu momento mais vulnerável” e que “basicamente, tudo o que é preciso são três mísseis, e essa civilização entrará em colapso”.
Ele nomeia especificamente duas das principais bases navais britânicas, incluindo Clyde, “onde o rei guarda mísseis nucleares Trident”, e Devonport, a maior de todas.
O governo americano também autorizou os ucranianos a usarem armas de longo alcance Storm Shadow, produzidas no Reino Unido.
Na quinta-feira (19), o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou que o uso de armas ocidentais contra o país pode ser considerado um ataque da Otan (aliança militar composta majoritariamente por países da Europa e da América do Norte).
“O uso de mísseis da aliança desta forma pode ser qualificado como um ataque dos países do bloco à Rússia. Neste caso, surge o direito de contra-atacar com armas de destruição em massa contra Kiev e as principais instalações da Otan”, escreveu no Telegram.
Maior arsenal nuclear
A Rússia, detentora do maior arsenal nuclear do mundo, possui cerca de 6.000 ogivas, conforme estimativas da Federação de Cientistas Americanos. Esse número, supera o dos Estados Unidos, que detém o segundo maior arsenal.
As forças estratégicas de dissuasão nuclear mencionadas por Putin são compostas, principalmente, por três elementos – conhecidos como tríade nuclear – que incluem:
Mísseis balísticos intercontinentais terrestres: lançados de bases em terra que podem atingir longas distâncias e são difíceis de interceptar;
submarinos nucleares com mísseis balísticos: podem lançar mísseis balísticos de áreas submersas, tornando o ataque nuclear mais difícil de detectar e neutralizar;
bombardeiros estratégicos: aviões de longo alcance capazes de transportar bombas e mísseis nucleares, oferecendo flexibilidade para ajustar a trajetória e direcionamento do ataque.
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