Espera por leitos em UPAs e entraves da regulação são discutidos na Câmara de Maceió
Vereadores relataram que tempo ultrapassa 30 dias em alguns casos e citaram ortopedia e oncologia como áreas mais críticas
O problema da regulação de leitos para pacientes do SUS em Maceió foi discutido na sessão desta quinta-feira (10) da Câmara Municipal de Maceió. Os vereadores apontaram que a espera dos pacientes das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) por transferência para hospitais chega a durar mais de um mês, por conta da falta de vagas.
Em visita à UPA da Santa Lúcia esta semana, o vereador Chico Filho encontrou idosos e crianças aguardando pela regulação e sem perspectivas de transferência. Os casos mais graves são relacionados à ortopedia e oncologia, áreas com maior carência de leitos atualmente em Alagoas.
O presidente da Câmara apontou a existência de um desencontro entre as determinações do Estado e do Município quanto às regulações, que deixam os pacientes sem o devido encaminhamento para tratar da saúde.
“É como se nós tivéssemos duas regulações distintas, mas isso está errado. São vidas, e as vidas importam mais que qualquer regulação. Estimo que 60% a 70% dos leitos das UPAs são ocupados por pessoas que já deviam estar em hospitais. Os pacientes que estavam no corredor do HGE, hoje ficam dentro das UPAs, mas não muda nada, porque também não têm o tratamento adequado”, disse.
Chico lembrou que Alagoas ganhou hospitais na capital e no interior, mas o cenário de falta de leitos não mudou. A fala foi acompanhada pelo vereador Leonardo Dias, que alertou para o alto número de pedidos de ajuda de familiares de pacientes que chegam aos parlamentares diariamente.
Ele destacou que a ação pontual de um vereador para garantir a regulação do paciente não é a mais adequada, porque não resolve o problema como um todo. “As pessoas continuam morrendo à espera da regulação. Estado e município precisam conversar e chegar ao melhor modelo. O objetivo da audiência de hoje é entender o problema é ver como a Casa pode colaborar”, explicou.
Colaborou com a discussão a vereadora Jeannyne Beltrão, que levantou questionamentos sobre a causa da falta de leitos em Alagoas. Ela citou falta de equipamentos, falta de profissionais e falta de insumos como possíveis entraves.
E a vereadora Fátima Santiago cobrou dos governos investimento em atenção básica, para reduzir o gasto com alta complexidade. “Quando Maceió hoje caminha para o aumento da cobertura para atenção básica, é o primeiro passo, mas a gente já tem um contingente da população afetado, que vai desembocar nas UPAs e, das UPAs para a internação demorada nos hospitais. Para resolver esse problema, os gestores do Estado e do Município têm que sentar à mesa e olhar a saúde como um todo”, pontuou.
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