Se perdeu? Veja por que um pinguim acabou encalhado na Praia do Gunga
Biólogo Carlos Fernando, da Unidade de Vigilância em Zoonoses, explica o que pode ter trazido a ave marinha até Alagoas
O aparecimento de um pinguim-de-magalhães na praia do Gunga, litoral sul de Alagoas, no último sábado (26), chamou atenção dos alagoanos. Entretanto, o fenômeno, embora incomum, não é inédito. O animal foi resgatado no sábado (26) pelo Instituto Biota de Conservação e segue em observação no centro de reabilitação da entidade, que monitora sua saúde e avalia as próximas etapas de tratamento.
Para entendermos melhor o que pode ter trazido a ave até as praias alagoanas, o portal 7Segundos entrevistou o biólogo Carlos Fernando, da Unidade de Vigilância em Zoonoses. De acordo com o especialista, o deslocamento desses animais até o litoral do Nordeste está relacionado ao comportamento natural da espécie. “Durante o inverno, os pinguins-de-magalhães, especialmente os mais jovens e inexperientes, deixam suas áreas de reprodução na Patagônia e acabam seguindo as correntes marinhas em busca de cardumes de peixes, lulas e outros pequenos organismos. Alguns se perdem do bando e encalham em locais distantes, como Alagoas”, explicou.

Casos semelhantes já foram registrados no estado. Em 2008, pinguins apareceram no Pontal de Coruripe e na Praia da Avenida, em Maceió. Em 2012, outro exemplar foi encontrado na Jatiúca. Já em 2015, foram ao menos três encalhes no Litoral Norte, incluindo Maragogi e Barra de Santo Antônio.
O biólogo destacou ainda a importância do trabalho do Instituto Biota, que atua na reabilitação desses animais. “Quando encalham aqui no Nordeste, os pinguins geralmente estão fracos, desidratados e desnutridos. É necessário todo um processo de recuperação para que voltem a ter condições de seguir viagem. A soltura não pode ser feita em Alagoas. Após a reabilitação, o ideal é que o animal seja levado até o Sul do país para ser reintegrado à natureza”, afirmou.
Em relação à possibilidade de retorno ao habitat original, Carlos Fernando pontua que não há garantias. “Eles têm uma espécie de bússola interna. A torcida é para que o instinto os leve de volta ao caminho certo.”
Por se tratar de uma ave migratória, o contato com o animal não é recomendado. Há risco de contaminação por vírus como o da gripe aviária. “Se avistar um pinguim na praia, não toque, não alimente e acione imediatamente o Instituto Biota. Apenas técnicos treinados e com Equipamentos de Proteção Individual devem fazer o manejo”, alertou.
O pinguim resgatado no Gunga segue em observação. De acordo com o coordenador do Biota, Bruno Stefanis, o animal está bem e ativo, o que indica que pode não estar doente. No entanto, ele será testado para influenza e terá o sangue analisado. Ainda não há previsão para sua reintrodução ao habitat natural.
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