MPAL, MPF e MPT inspecionam infraestrutura e funcionamento da Escola Dom Helder Câmara
Fiscalização está sendo realizada em 40 escolas municipais que oferecem Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI)
Na noite da última terça-feira (12), o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) deram prosseguimento à fiscalização das 40 escolas municipais que oferecem Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) no turno noturno. O objetivo é avaliar infraestrutura, recursos pedagógicos, alimentação escolar, acessibilidade e condições de trabalho nas unidades.
A visita ocorreu na Escola Municipal Dom Helder Câmara, no bairro do Feitosa. A equipe constatou que a escola passou por pintura e reforma parcial da cobertura do pátio, além de adequação da rede elétrica. No entanto, permanece o risco de acidentes devido à deterioração de outra cobertura ainda não reformada e à situação da quadra, onde a tabela de basquete caiu há cerca de dois anos — o incidente não causou ferimentos porque não havia crianças no exato momento.Entre os pontos positivos, destaca-se a oferta de atendimento social e psicológico três vezes por semana, serviço em funcionamento no momento da fiscalização. Paralelamente, foram inspecionadas a cozinha, despensa, refeitório, banheiros, sala de repouso de funcionários, acessibilidade e abastecimento de água.
No aspecto pedagógico, verificou-se falta de professores de inglês, informática e ensino religioso. A quadra de esportes, apesar de deteriorada, segue em pleno funcionamento, já a sala multimeios — destinada a pessoas com deficiência — não funciona no período noturno. A sala de informática não dispõe de computadores e é usada como depósito. Já a biblioteca, recentemente construída, aguarda conclusão da catalogação dos livros para começar a funcionar.
A água consumida vem de uma cisterna e é filtrada no próprio bebedouro, mas considerada de baixa qualidade por alunos e funcionários, que costumam levar água de casa. Todas as salas de aula têm climatização, sendo a maioria dos aparelhos adquirida com recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Em salas destinadas a funcionários, alguns aparelhos não funcionam. Os computadores da Secretaria apresentam travamentos, e a unidade não possui auditório nem acessibilidade para cadeirantes, que precisam ser carregados para acessarem o andar superior. Quanto aos direitos trabalhistas, a escola não dispõe de plano de gerenciamento de risco e exames de saúde periódicos.
Pestalozzi – No mesmo dia, mais cedo, o procurador regional dos direitos do cidadão, Bruno Lamenha, acompanhou a comissão do EJAI da Secretaria Municipal de Educação (Semed) em visita à Associação Pestalozzi de Maceió, que oferece Educação de Jovens, Adultos e Idosos com foco no atendimento a pessoas com deficiência. A unidade é vinculada à Escola Municipal Maria José Carrascosa, já inspecionada anteriormente, e a ação teve caráter complementar.
De acordo com o procurador, a infraestrutura do local é satisfatória e as aulas estavam em andamento em cinco salas. Uma questão observada foi a ausência de cardápio específico fornecido pela Semed, o que leva a própria instituição a elaborar a alimentação conforme as necessidades e restrições alimentares dos estudantes.
“Essas inspeções permitem que o Ministério Público avance na compreensão das condições reais das unidades escolares, conversando diretamente com gestores, docentes e discentes, e sendo capaz de articular intervenções específicas para corrigir deficiências estruturais e garantir o direito à educação com dignidade”, afirmou o procurador regional dos direitos do cidadão, Bruno Lamenha, ressaltando que as ações fazem parte de uma estratégia contínua de acompanhamento e fiscalização das unidades de EJAI.
A promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos, Alexandra Beurlen, destacou que “não podemos fechar os olhos para as desigualdades explícitas que emergem das unidades de EJAI — são espaços que deveriam ser porto seguro, mas refletem precárias condições. A EJAI precisa ser tratada com prioridade, não apenas para garantir matrícula, mas para assegurar aprendizado e dignidade aos seus frequentadores”.
A procuradora do Trabalho e coordenadora de Combate à Exploração do Trabalho Infantil, Cláudia Soares, reforçou a importância de ampliar as oportunidades para quem frequenta a EJAI: “A educação de jovens, adultos e idosos representa uma retomada de projetos de vida interrompidos. É essencial que, paralelamente aos estudos, possa haver oferta de cursos profissionalizantes — isso representa não só uma valorização da trajetória desses alunos, mas abre caminho para sua inserção efetiva no mercado de trabalho, fortalecendo sua autonomia e assegurando que o direito à educação caminhe junto com o direito ao trabalho digno”.
As fiscalizações continuarão até que todas as escolas municipais que ofertam EJAI sejam visitadas. Com base nas constatações, serão emitidas recomendações e adotadas as medidas cabíveis para garantir que todos os alunos tenham acesso a um ambiente escolar adequado, apoio pedagógico e oportunidades de formação que transformem suas vidas.
Últimas notícias
Paciente em SP com suspeita de ebola testa positivo para meningite
Acidente de moto deixa jovem morto na AL-140, em Mata Grande
Jovem é preso com arma de fogo durante vaquejada em Arapiraca
Traficantes fogem e polícia descobre drogas enterradas em região de mata de Arapiraca
Vídeo mostra exato momento do acidente da BMW na orla de Maceió
Caravana de Renan Filho encerra agenda com grande mobilização em P. de Pedras e Milagres
Vídeos e noticias mais lidas
Jovem é expulso após ser flagrado se masturbando dentro de academia de Arapiraca
Prefeitura anuncia inauguração da avenida Senador Benedito de Lira com Raí Saia Rodada
Após demissão de Moro, Bolsonaro fará declaração às 17h
Mototaxista é assassinado a tiros em São Luís do Quitunde
