Bolsonaro e Eduardo são indiciados por obstrução à Justiça, diz PF
Em julho, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, autorizou a prorrogação das investigações por mais 60 dias, alegando a necessidade de aprofundar diligências
A Polícia Federal (PF) indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por tentativa de obstrução de Justiça. A medida está relacionada à investigação que apura a tentativa de golpe de Estado e consta em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O documento também implica o pastor Silas Malafaia, que foi alvo de mandado de busca e apreensão e teve o passaporte retido. Segundo a PF, Malafaia teria atuado na disseminação de conteúdo estratégico nas redes sociais a pedido de Bolsonaro.
Atividades em redes sociais
Com a restauração de dados a partir de backups, a PF identificou que Jair Bolsonaro continuou produzindo e divulgando mensagens políticas, mesmo após ter sido proibido judicialmente de fazê-lo. O relatório detalha que, menos de uma hora após ativar um novo celular, no dia 25 de julho de 2025, às 11h09, Bolsonaro recebeu mensagens de Malafaia solicitando a divulgação de dois vídeos com conteúdo político:
O material, segundo a PF, teria como objetivo mobilizar apoiadores e pressionar instituições públicas.
Depoimento de Silas Malafaia
Malafaia desembarcou nesta quarta-feira (20) no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, vindo de Lisboa. Ele foi recebido por agentes da Polícia Federal, que cumpriram mandado de busca pessoal, apreendendo seu celular e outros pertences. Em seguida, ele foi conduzido para prestar depoimento.
Conversas apagadas
A Polícia Federal informou ainda que conseguiu recuperar áudios e mensagens apagadas dos celulares de Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Silas Malafaia. O conteúdo apontaria para articulações com o objetivo de intimidar autoridades e dificultar o andamento das investigações.
Pedido de asilo
O relatório também menciona conversas em que Bolsonaro discute com aliados a possibilidade de solicitar asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. A PF considera essas tratativas parte das tentativas de frustrar a atuação da Justiça brasileira.
Histórico da investigação
O inquérito foi aberto em maio deste ano, a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), com base em indícios de que Eduardo Bolsonaro buscou apoio nos Estados Unidos para pressionar ministros do STF. O caso levou à inclusão de Jair Bolsonaro na investigação e, posteriormente, à sua prisão domiciliar por violação de medidas judiciais.
Em julho, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, autorizou a prorrogação das investigações por mais 60 dias, alegando a necessidade de aprofundar diligências.
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