Clínica onde esteticista foi morta é interditada; Polícia também investiga possíveis estupros
Os proprietários da clínica foram presos, mas negam a prática dos crimes
A clínica de reabilitação para dependentes químicos, localizada no município de Marechal Deodoro, e onde a esteticista Cláudia Pollyane, de 41 anos, foi morta no último dia 8, foi interditada nesta segunda-feira (25) pela Polícia Civil de Alagoas. A comissão de delegados, que apura as circunstâncias da morte de Cláudia, esteve no local e informou que além dos espancamentos e das situações de abuso, casos de estupro contra os pacientes também estão sendo investigados.
Segundo a delegada Ana Luiza Nogueira, que faz parte da comissão, mais de 30 pessoas já foram ouvidas desde o início das investigações sobre a morte da esteticista. Os proprietários da clínica foram presos, mas negam a prática dos crimes. Entretanto, a delegada confirmou que mesmo não confessando os abusos, o laudo cadavérico de Cláudia, que apontou morte por insuficiência respiratória além de diversas lesões na cabeça, já aponta para, ao menos, uma acusação de homicídio culposo.
Diversos pacientes da clínica compareceram à delegacia e denunciaram ter sido vítimas de tortura, maus-tratos, abusos físicos e psicológicos. Os crimes, inclusive, eram reiterados, de acordo com as denúncias. Durante as diligências feitas nesta segunda-feira a polícia teria encontrado sangue nas paredes de um dos cômodos da clínica, local que seria chamado de “quarto do castigo”.
Diante da extrema gravidade dos crimes que seriam praticados no local, a polícia segue com as investigações, a fim de esclarecer a conduta não somente dos donos da clínica, como também de funcionários que podem ter contribuído de forma deliberada com os abusos.
Após a morte da esteticista, ocorrida nas dependências da clínica no último dia 8, um representante da clínica informou que Cláudia teria entrado em surto de abstinência, tendo sido medicada, e em seguida tendo jantado e ido dormir. Pela manhã, outra paciente informou que ela não estaria bem, momento em que foi levada à UPA de Marechal Deodoro, onde já foi constatado o óbito.
Já a família contesta essa narrativa e afirma que recebeu informações de uma assistente social e do médico de plantão de que Cláudia estava morta há pelo menos quatro horas e apresentava hematomas pelo corpo e um olho roxo.
No último dia 15 a dona da clínica foi presa decorrência das investigações da Polícia Civil. Já o marido dela, também proprietário do estabelecimento, foi preso no último dia 22, dentro de um motel localizado em Jacarecica, bairro de Maceió.
A operação realizada nesta segunda-feira pela Polícia Civil contiua em andamento, com as equipes realizando cumprimento de mandado de busca e apreensão.
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