Justiça condena hospital e funerária a indenizar família por troca de corpos durante pandemia
O Hospital Sanatório encaminhou nota de esclarecimento à imprensa alagoana
A Justiça de Alagoas determinou que o Hospital Sanatório e o Centro Ambulatorial Planvida Ltda. indenizem em R$ 80 mil a família de Juarez Queiroz de Lima. O idoso teve o corpo trocado no necrotério em maio de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, o que impediu que seus familiares realizassem o sepultamento de acordo com seus desejos e tradições religiosas.
Segundo os autos, Juarez acabou enterrado no lugar de uma mulher. Seus filhos ingressaram com ação judicial pedindo a exumação do corpo, a realização de exame de DNA e a possibilidade de realizar um novo sepultamento no túmulo da família, conforme era a vontade do pai. O processo segue em andamento.
Em depoimento, Janderson Lima, filho do idoso, relatou que a família foi informada do falecimento e orientada a buscar o corpo. No entanto, ao chegar ao necrotério, não havia funcionários para fazer a liberação, e os próprios agentes funerários tiveram acesso aos sacos mortuários, que estavam apenas etiquetados e não podiam ser abertos em razão das restrições sanitárias. O erro só foi percebido quando o corpo já estava na funerária.
Na sentença, o juiz Jamil Amil Albuquerque de Hollanda Ferreira, da 7ª Vara Cível de Maceió, apontou falhas tanto do hospital, responsável pela guarda do corpo, quanto da funerária, que retirou e lacrou o cadáver sem a devida conferência. Para o magistrado, a negligência violou o direito da família a uma despedida digna.
Ele destacou ainda que, mesmo diante das restrições da pandemia, não era admissível que protocolos sanitários resultassem em descaso com a dignidade dos mortos. “Ainda que a morte encerre a personalidade jurídica, a representação corpórea daquilo que outrora foi uma vida há de ser tratada com todo respeito e deferência possível”, afirmou.
A decisão reconheceu que os filhos de Juarez sofreram danos morais reflexos — chamados de “ricochete” —, já que, além da dor pela perda durante a crise sanitária, foram privados do último adeus e dos ritos fúnebres. O valor de R$ 80 mil foi fixado no limite do pedido feito na ação, com caráter compensatório e pedagógico.
Durante o processo, o hospital sustentou que o corpo estava identificado corretamente e que a falha foi da funerária, que não teria conferido as informações nem percebido a diferença entre um homem e uma mulher. Já a empresa Planvida afirmou que apenas seguiu a indicação de uma funcionária do hospital, que teria apontado o corpo errado e garantido que o reconhecimento já havia sido feito.
NOTA À IMPRENSA
Em razão do caso envolvendo ação judicial movida pela família do senhor J.Q.d.L, o Hospital Sanatório manifesta, acima de tudo, seu profundo respeito e solidariedade à família enlutada, reconhecendo o sofrimento enfrentado em um momento tão delicado e em meio ao contexto crítico da pandemia de Covid-19, ocorrido cinco anos atrás.
No que tange à troca indevida de corpos ocorrida no necrotério da nossa instituição, todas as informações necessárias para esclarecimento do caso já foram detalhadamente informadas à Justiça e estamos aguardando a decisão judicial a respeito.
O Centro Ambulatorial Planvida Ltda. não foi localizado para comentar a decisão.
Últimas notícias
Jovem foragido da Justiça é preso no município de Flexeiras
Virginia surge beijando macaco durante viagem de luxo em Dubai
Fiscalização apreende 100 kg de produtos vencidos em estabelecimento na Ponta Verde
Presidente do Republicanos resiste a pressões e garante Davi Filho na briga pelo Senado
Renan Calheiros mira presidente da Câmara em investigações contra o banco de Vorcaro
Repasse milionário de Jairzinho Lira a ONG de Lagoa da Canoa é investigado pelo MPAL
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem é expulso após ser flagrado se masturbando dentro de academia de Arapiraca
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
