Polícia Científica confirma identificação de agiota carbonizado em Marechal Deodoro
Restos mortais foram liberados para sepultamento
Um trabalho minucioso e integrado entre o Laboratório de Genética Forense e os Institutos de Medicina Legal (IML) de Maceió e Arapiraca permitiu a identificação de mais um cadáver carbonizado. A Polícia Científica divulgou nesta segunda-feira (6) que o corpo encontrado na carroceria de uma caminhonete incendiada, em Marechal Deodoro, é de Rubens Lima Barreto. Ciência forense permitiu a liberação dos restos mortais para o sepultamento.
De acordo com investigação, ele era agiota e teve o corpo achado carbonizado em cima da carroceria de uma caminhonete totalmente destruída pelo fogo, em uma área de canavial às margens da BR-424, nas proximidades do Polo Industrial de Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió. Uma mulher foi detida no dia 24 de setembro, no povoado Barra Nova, suspeita de envolvimento no crime.
As investigações tiveram início em 28 de julho de 2025, quando o veículo de Barreto, com seu corpo dentro, foi descoberto em um canavial às margens da malha viária federal. O cenário era de tal brutalidade que a identificação imediata era impossível, exigindo a expertise e a precisão dos exames genéticos de alta complexidade.

A análise genética foi feita pelo perito criminal Clisney Omena, no Laboratório de Genética Forense da Polícia Científica de Alagoas. Ele explicou que no exame de necropsia foram coletados um fragmento de fêmur e cinco elementos dentários do cadáver carbonizado.
No laboratório, Omena fez a seleção da amostra a ser analisada. Após a incubação de duas unidades dentárias, pelo método orgânico, ele extraiu o DNA, fez a quantificação, amplificação e o processo de eletroforese da amostra, o que permitiu a obtenção do perfil genético completo de um indivíduo do sexo masculino, viável para confronto.
Em outra frente, a equipe do IML de Arapiraca coletou em um cartão FTA (papel de filtro quimicamente tratado) a amostra da mucosa oral de uma suposta filha da vítima. O perito explicou que a metodologia utilizada nesse tipo de amostragem é outra, mais rápida, e conta apenas com as etapas de amplificação e eletroforese, o que possibilitou a obtenção do perfil genético e a análise de vínculo genético entre os dois.
“Realizei os cálculos estatísticos considerando duas hipóteses: a primeira, de que a jovem seja filha biológica do cadáver não identificado; e a segunda, de que ela seja filha biológica de um homem qualquer, escolhido aleatoriamente na população brasileira. O exame concluiu que é 9.889.203.162 (nove bilhões, oitocentos e oitenta e nove milhões, duzentos e três mil, cento e sessenta e duas) vezes mais provável que ela seja filha biológica do cadáver analisado do que de outro homem qualquer da população”, explicou o perito.
Os laudos periciais de comparação genética, confirmando a identidade de Rubens Lima Barreto, foram prontamente encaminhados aos IMLs, que, por sua vez, comunicaram o resultado aos familiares. Essa confirmação não apenas encerra um capítulo de incertezas, mas também possibilita a liberação dos restos mortais para um digno sepultamento, permitindo que a família inicie seu processo de luto.
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