Alfredo Gaspar denuncia blindagem de investigados e analisa depoimento de Onyx Lorenzoni na CPMI do INSS
Logo no início da sua fala como relator, Alfredo Gaspar afirmou que vem enfrentando resistência política para convocar nomes-chave das investigações
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), criticou nesta quinta-feira (6) a blindagem de investigados que, segundo ele, têm ligação direta com o esquema de fraudes em descontos indevidos em benefícios previdenciários. As declarações ocorreram no início da oitiva do ex-ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, que veio a Comissão esclarecer sua atuação no ministério.
Logo no início da sua fala como relator, Alfredo Gaspar afirmou que vem enfrentando resistência política para convocar nomes-chave das investigações, apontando que apadrinhamentos e interferências têm dificultado o avanço dos trabalhos. “Se vocês forem atrás desses nomes, vão encontrar os padrinhos, vocês vão ver a safadeza que está por trás disso. Tentei trazer aqui Paulo Bodes, foi blindado. Tentei trazer aqui Gustavo Gaspar, foi blindado. Tentei trazer aqui Daniela Fontelle, foi blindada. Tentei trazer aqui Frei Chico, foi blindado. Todos têm padrinhos políticos por trás. Falta coragem, falta o povo saber que discurso não é compatível com a realidade”, afirmou o relator.
Em seguida, foi a vez de Alfredo Gaspar fazer a inquirição de Onyx Lorenzoni, questionando dados que apareceram em documentos e relatórios oficiais que chegaram a CPMI. “Ele recebeu R$ 60 mil de uma das associações investigadas e foi questionado também sobre o fato de o filho ser advogado de uma dessas entidades. Ele não se esquivou das respostas, e nós faremos o juízo de valor conforme a análise dos documentos que estão chegando. O ex-ministro trouxe dados e afirmou que, na gestão dele, os descontos associativos diminuíram. Vamos verificar isso com base nas informações oficiais”, pontuou.
O relator adiantou ainda que a CPMI vai aprofundar a análise sobre possível omissão de ex-ministros e gestores da previdência diante das fraudes já identificadas por órgãos de controle como CGU, TCU, Polícia Federal e Ministério Público Federal. “O que temos até agora mostra que as irregularidades persistiram ao longo de diferentes gestões. A CPMI vai até o fim para identificar todos os responsáveis e garantir que os aposentados e pensionistas prejudicados tenham justiça”, concluiu Alfredo Gaspar.
A CPMI do INSS começou no final de agosto e investiga um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios previdenciários, que atingiu aposentados e pensionistas em todo o país.
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