Namorar é constrangedor? Entenda debate que surgiu nas redes sociais
Após um artigo publicado em uma revista internacional, o debate sobre relacionamentos e heteropessimismo tem movimentado as redes sociais
Houve uma época em que ter um namorado era uma conquista. O nome dele ia para a sua bio, o seu rolo de câmera se enchia de fotos do início do relacionamento e o rosto dele se tornava uma extensão não oficial de você. Mas, ultimamente, isso mudou. As mulheres estão admitindo que estar “comprometida” publicamente não é tão lisonjeiro quanto antes.
Uma publicação da Vogue britânica viralizou e levantou o debate nas redes sociais: é constrangedor namorar no momento do heteropessimismo? A escritora Chanté Joseph, autora do artigo em questão, falou sobre como as mulheres postam menos fotos de seus parceiros do que nunca.
É claro que amar e ser amada é incrível, mas as mulheres possuem outras prioridades além do amor romântico. Por mais que a pergunta pareça confusa ou absurda para alguns, a verdade é que o texto traz uma análise sobre o novo comportamento das mulheres heterossexuais.
A escritora observou que as pessoas passaram de uma era de carrosséis repletos de fotos românticas para uma época em que o cotovelo do namorado pode aparecer brevemente em um story de 24 horas antes de desaparecer. “Parece ser o resultado de mulheres que querem conciliar dois mundos”, escreveu ela, “um em que podem desfrutar dos benefícios sociais de ter um parceiro, mas sem parecerem tão obcecadas pelo namorado a ponto de serem vistas como perdedoras, de acordo com os padrões culturais.”
A ideia vem junto com o conceito de heteropessimismo. Gabriela Medeiros, psicóloga especialista em relacionamentos, explica que esse fenômeno afeta especialmente as mulheres, que, infelizmente, ainda são, na maioria das vezes, as principais vítimas de violência, infidelidade, desrespeito, experiências negativas em relacionamentos e desigualdade de gênero.
Ao mesmo tempo em que o heteropessimismo impacta diretamente a vida romântica e sexual das mulheres, elas, com a independência social e financeira, tornaram-se menos tolerantes a relações em que não se sentem valorizadas, admiradas e respeitadas, seja no campo emocional, seja no sexual.

“Diante desse cenário, muitas passam a evitar vínculos afetivos com homens e exploram caminhos alternativos: algumas redescobrem ou exploram a bissexualidade, outras optam por relações sem compromisso afetivo e há também aquelas que escolhem o ‘celibato’ como forma de preservar sua saúde mental e emocional”, comenta Gabriela.
De acordo com a psicóloga, o fortalecimento das redes de apoio e afeto entre mulheres também faz com que se tornem fontes significativas de acolhimento e bem-estar.
Por fim, Gabriela também comenta que a romantização do amor heterossexual tradicional tem contribuído para o sofrimento psíquico de muitas mulheres, resultando em ansiedade, depressão e baixa autoestima. Historicamente, espera-se das parceiras um conjunto de comportamentos e sacrifícios que, raramente, são exigidos dos homens.
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