Braskem fecha acordo de R$ 1,2 bilhão com o Estado de Alagoas por danos causados em bairros de Maceió
Companhia vai indenizar o governo estadual pelos prejuízos provocados pelo afundamento do solo em cinco bairros da capital, que deixou milhares de famílias desabrigadas desde 2018
A Braskem anunciou, nesta segunda-feira (10), que fechou um acordo de R$ 1,2 bilhão com o Governo de Alagoas para encerrar parte das pendências relacionadas ao desastre geológico que atingiu a capital, Maceió.
De acordo com comunicado oficial, R$ 139 milhões já foram pagos e outros R$ 467 milhões já estavam reservados em balanços anteriores para cobrir indenizações ao Estado. O valor total servirá para compensar prejuízos patrimoniais, perdas financeiras e danos estruturais causados pelo afundamento do solo em bairros da capital alagoana.
O episódio teve início em 2018, quando moradores de Pinheiro, um dos bairros mais tradicionais de Maceió, começaram a perceber rachaduras em casas e ruas. Com o passar dos meses, o problema se espalhou por Mutange, Bebedouro, Bom Parto e parte do Farol, forçando a evacuação de milhares de famílias.
Investigações da Defesa Civil Nacional e de órgãos técnicos apontaram que o fenômeno foi provocado pela extração de sal-gema realizada pela Braskem ao longo de décadas. As cavidades abertas no subsolo acabaram comprometendo a estrutura da região, levando ao afundamento progressivo do terreno e à formação de crateras.
Desde então, mais de 14 mil imóveis foram desocupados e dezenas de milhares de pessoas precisaram deixar suas casas. Em 2019, a Braskem interrompeu definitivamente a extração de sal-gema em Maceió e iniciou o pagamento de indenizações a moradores e comerciantes afetados.
O acordo com o governo estadual é diferente daquele firmado com a Prefeitura de Maceió, em 2023, no valor de R$ 1,7 bilhão. Enquanto o município busca reparar danos urbanos e sociais, o novo entendimento com o Estado cobre prejuízos institucionais e patrimoniais.
A Braskem afirma que o acerto faz parte de um esforço para encerrar pendências judiciais e garantir a continuidade das ações de reparação. Já o governo de Alagoas destacou que os recursos deverão ser aplicados em projetos de reconstrução e monitoramento da área afetada.
Situação atual
Apesar dos acordos, especialistas alertam que o fenômeno de afundamento ainda exige monitoramento constante. O solo nas áreas atingidas continua instável e, segundo estudos, o risco só deve ser totalmente eliminado com o tempo e o acompanhamento técnico permanente.
Enquanto isso, parte das famílias segue em busca de reassentamento definitivo e cobra da empresa e das autoridades indenizações justas e transparência na aplicação dos recursos.
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