Anvisa suspende canetas emagrecedoras do Paraguai e medida afeta pacientes em tratamento
De acordo com a agência, o consumo dessas canetas representa risco elevado para quem está em tratamento para emagrecimento
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu, nesta quinta-feira (20), a importação, a venda e a divulgação das chamadas canetas emagrecedoras trazidas ilegalmente do Paraguai. A decisão atinge medicamentos que não possuem registro no Brasil e que vinham sendo comercializados em redes sociais, clínicas clandestinas e até traficados junto com cargas ilegais.
Entre os produtos proibidos estão T.G.5, Lipoless, Lipoless Ético, Tirzazep e itens da Royal Pharmaceuticals e Indufar. Segundo a Anvisa, todos contêm substâncias agonistas de GLP-1 — semelhantes às usadas em medicamentos como Ozempic e Mounjaro — porém sem qualquer comprovação de segurança, eficácia ou controle sanitário.
Risco direto ao paciente
De acordo com a agência, o consumo dessas canetas representa risco elevado para quem está em tratamento para emagrecimento, já que não há garantia sobre dose, composição, armazenamento ou origem dos produtos. Sem o registro sanitário, não existe rastreabilidade para efeitos adversos, o que impossibilita qualquer tipo de atendimento ou intervenção médica segura.
Além disso, as bulas vêm apenas em língua estrangeira, o que aumenta a chance de uso incorreto e reações graves. A Anvisa alerta que medicamentos sem registro podem conter substâncias adulteradas, concentrações irregulares e até compostos tóxicos — podendo causar desde hipoglicemia severa até complicações cardíacas e pancreáticas.
Carga ilegal apreendida em MS expõe rede criminosa
A decisão da Anvisa veio após um caso que ganhou repercussão nacional. Em Mato Grosso do Sul, um caminhoneiro foi preso com 65 canetas ilegais de emagrecimento escondidas ao lado de 44,8 kg de cocaína na BR-262, em Campo Grande.
Entre os produtos estavam ampolas de retatrutida e tirzepatida, substâncias de alto custo e muito procuradas no mercado clandestino.
O flagrante expôs a conexão entre o contrabando de medicamentos irregulares e o crime organizado, reforçando a urgência da medida.
Orientação ao público
A Anvisa reforça que medicamentos para perda de peso só devem ser adquiridos com prescrição médica e em farmácias autorizadas. Tratamentos iniciados com produtos ilegais devem ser interrompidos imediatamente e comunicados ao profissional de saúde responsável.
Pacientes que compraram canetas importadas irregularmente correm risco de interrupção abrupta do tratamento, perda de dinheiro e danos à saúde — já que o conteúdo das canetas pode não corresponder ao que é anunciado.
Denúncias de venda irregular podem ser feitas à Vigilância Sanitária local ou diretamente à Anvisa.
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