Casa da Mulher Alagoana registra aumento de atendimentos e amplia proteção às vítimas
Neste ano foram realizados 2.074 atendimentos e 147 abrigamentos; instituição é a porta de entrada para situações de violência doméstica e familiar no estado
A Casa da Mulher Alagoana “Nise da Silveira” encerrou o período de janeiro a novembro de 2025 com um crescimento expressivo no número de atendimentos e um retrato detalhado das mulheres que buscaram apoio.
Os dados reforçam a importância da instituição como referência no enfrentamento à violência doméstica e na promoção de proteção e autonomia às vítimas.
Atendimentos crescem e superam total de 2024
Entre janeiro e novembro deste ano, a Casa realizou 2.074 atendimentos, número que já supera os 1.529 registros de todo o ano de 2024. Do total, 775 mulheres buscaram o serviço pela primeira vez, enquanto 713 retornaram para acompanhamento. O atendimento remoto, uma das estratégias de ampliação do acesso, respondeu por 586 registros.
O Alojamento de Passagem, espaço de acolhimento temporário para mulheres e seus filhos em situação de risco, foi utilizado 147 vezes. Também foram servidas 1.941 refeições às mulheres atendidas e seus acompanhantes, garantindo suporte básico durante o acolhimento.
Atendimento alcança mulheres de todo o estado
Embora esteja sediada em Maceió, a Casa da Mulher Alagoana atendeu mulheres de diversas regiões de Alagoas e até de outros países, como Peru, Argentina e Paraguai. A capital representa 87,6% da origem das usuárias. Entre os bairros com maior número de atendimentos, destaque para Benedito Bentes (9,9%) e Cidade Universitária (8,4%).
Municípios vizinhos também apareceram com frequência, como Marechal Deodoro (1,3%), Rio Largo (1,2%) e Satuba (1,0%). Outras cidades fora de Maceió somaram 7,5% dos atendimentos, evidenciando o alcance regional da unidade.
Faixa etária e raça evidenciam vulnerabilidades
Os dados mostram que a violência doméstica atinge mulheres de várias idades, com maior concentração entre 18 e 29 anos (31,4%), seguidas por 30 a 39 anos (28,5%) e 40 a 49 anos (23,5%).
A maioria das mulheres atendidas se autodeclara Parda (56,3%), reforçando tendências nacionais que apontam mulheres negras como as principais vítimas desse tipo de violência.
Escolaridade diversa, com aumento de mulheres com ensino superior
A análise da escolaridade revela perfis variados. Mulheres com Ensino Médio Completo representam 38,4% dos atendimentos. Um dado que chama atenção é o avanço da participação de mulheres com Ensino Superior Completo, que chegaram a 14,2%, percentual maior que o registrado em 2024 que foi de 8,7%.
Filhos influenciam permanência em relações violentas
A presença de filhos segue sendo um dos fatores que mais dificultam o rompimento com o agressor, seja por dependência financeira, medo de retaliações ou ameaças relacionadas à guarda.
Entre as mulheres atendidas, 29,4% têm dois filhos, 26,2% têm um, e 10,5% não possuem filhos.
Ex-companheiros são principais agressores
O levantamento aponta que 48,4% dos casos de violência são praticados por ex-maridos ou ex-companheiros, enquanto 27,2% envolvem o marido ou companheiro atual. Os números reforçam a necessidade de políticas públicas específicas e contínuas ações de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.
Compromisso reforçado
De acordo com Paula Lopes, coordenadora da Casa da Mulher Alagoana, o balanço de 2025 demonstra que a instituição permanece atuando como um espaço essencial de acolhimento, orientação e proteção. “O aumento dos atendimentos e a diversidade dos perfis atendidos evidenciam tanto a demanda crescente por apoio quanto a confiança das mulheres no serviço”.
A unidade segue fortalecendo ações integradas com a rede de enfrentamento à violência contra a mulher, garantindo atendimento humanizado e apoio multidisciplinar para que cada vítima possa reconstruir sua história com segurança e dignidade.
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