PF faz operação para apurar suspeita de vazamento de dados de autoridades
A operação acontece após Moraes mandar Receita rastrear quebra de sigilo de ministros do STF e 100 familiares
A Polícia Federal iniciou hoje uma operação que mira suspeitos de vazar dados da Receita Federal relacionados a autoridades brasileiras.
O que aconteceu
Quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos hoje. Eles foram realizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, mas ainda não se sabe quantos teriam sido os alvos.
As buscas foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Superior Tribunal Federal). A medida ocorreu a partir de representação da Procuradoria-Geral da República, que apura vazamentos de informações financeiras de autoridades.
Medidas cautelares também foram definidas. Os investigados terão de ser monitorados por tornozeleira eletrônica, serão afastados dos serviços públicos, terão os passaportes cancelados, além de ficarem proibidos de sair do país.
A operação acontece após Moraes mandar Receita rastrear quebra de sigilo de ministros do STF e 100 familiares. A revelação foi feita pela Folha de S.Paulo. De acordo com o jornal, o rastreio inclui dados de cerca de 100 pessoas. Dentre elas estão ministros da corte e seus familiares. O pedido de análise das informações foi feito por Moraes. Segundo o portal Metrópoles, tiveram os sigilos quebrados a mulher de Moraes, Viviane Barci, e o filho de um ministro.
Em janeiro, o ministro abriu de ofício um inquérito para investigar outras quebras. O objetivo era saber se a Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeira) quebraram de forma irregular o sigilo fiscal de ministros e seus familiares. Na época, Moraes era presidente interino do STF, que estava em recesso. A abertura da investigação não foi solicitada pela PGR, como é praxe.
Suspeitas de vazamento de dados sigilosos surgiram com a chegada do caso Banco Master ao STF. A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou detalhes do contrato da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para a defesa dos interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro, dono da instituição.
De acordo com o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório de Viviane receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso tivesse sido cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129 milhões até o início de 2027.
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