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Vaticano recusa convite para participar do Conselho da Paz de Trump

Secretário de Estado do Vaticano também saiu em defesa do papel da ONU na mediação de conflitos internacionais

Por Metrópoles 18/02/2026 10h10 - Atualizado em 18/02/2026 10h10
Vaticano recusa convite para participar do Conselho da Paz de Trump
Papa Leão XIV - Foto: Reprodução

O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou, nessa terça-feira (17), que a Santa Sé não participará do Conselho da Paz, a organização criada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para combater conflitos internacionais.

Parolin declarou que o Vaticano não integrará o órgão “devido à sua natureza particular”. A declaração foi dada à imprensa depois de o cardeal deixar uma reunião com o presidente da Itália, Sergio Mattarella.

O secretário também saiu em defesa do papel da Organização das Nações Unidas (ONU) na resolução de conflitos. Segundo ele, o entendimento do Vaticano é de que cabe à ONU “gerir as situações de crise”.

Em janeiro, ao confirmar que o Papa Leão XIV tinha recebido o convite de Trump, Parolin disse que o Vaticano avaliaria a proposta norte-americana. “O papa recebeu um convite, e estamos analisando o que fazer. Acredito que será algo que exigirá um pouco de tempo para reflexão antes de darmos uma resposta”, afirmou.

Segundo ele, a avaliação envolve tanto o escopo do novo órgão quanto implicações diplomáticas.

O Conselho da Paz foi lançado oficialmente por Trump em janeiro. O presidente americano convidou dezenas de países, como o Brasil, a integrar o órgão. Ao menos 19 países endossaram a carta de criação do conselho, assinada pelo americano. Entre os governos que rejeitaram participar da organização, estão a Itália, França e Alemanha. O Brasil ainda não respondeu ao convite.

A comunidade internacional avalia que a criação do conselho, que terá os EUA como presidente, é uma estratégia de Trump para esvaziar a atuação da ONU na mediação de crises.

Por meio do grupo, o americano tem dito que vai promover um plano de reconstrução e “estabilização” da Faixa de Gaza. Em uma rede social, Donald Trump afirmou que os membros do conselho devem investir cerca de US$ 5 bilhões nas ações em Gaza.