Ministro Luís Roberto Barroso diz que STF vive 'momento difícil'
'Há uma percepção crítica real' sobre o tribunal, afirma em entrevista ministro aposentado, que também defendeu mandatos de 12 anos para integrantes da Corte
O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que a Corte vive um “momento difícil” em meio à crise envolvendo o Banco Master. Em entrevista ao programa do jornalista Roberto D’Ávila, exibido pela GloboNews, ele disse que há uma percepção crítica sobre o tribunal, mas afirmou que é preciso aguardar o avanço das investigações antes de tirar conclusões.
“Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados”, declarou.
O caso do Banco Master atingiu dois ministros do STF: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Vieram à tona mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, no dia em que ele foi preso pela primeira vez. Moraes nega ter recebido as mensagens. Toffoli, por sua vez, deixou a relatoria do caso após revelar que é sócio de uma empresa que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados a Vorcaro.
Barroso afirmou que nunca tinha ouvido falar do empresário antes do caso e disse que prefere esperar o resultado das investigações antes de fazer avaliações. Segundo ele, mesmo que algo eventualmente seja considerado criticável, não é possível antecipar conclusões.
O ministro aposentado também elogiou a condução do caso pelo presidente do STF, Edson Fachin, e pelo relator do processo, André Mendonça.
Durante a entrevista, o jornalista Roberto D’Ávila perguntou, em tom de brincadeira, se Barroso apagava mensagens do celular. O ex-ministro respondeu que não. “Não percebi a maldade da sua pergunta”, disse.
Na mesma entrevista, Barroso defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo. Para ele, o ideal seria um período de 12 anos, inspirado no modelo adotado na Alemanha, em vez da permanência até a aposentadoria compulsória. Barroso, inclusive, ficou no STF por 12 anos.
Segundo o ex-presidente da Corte, a exposição pública prolongada pode se tornar difícil para os magistrados e suas famílias.
“A exposição pública, ao longo do tempo, ela vai se tornando insuportável. Ela é pessoalmente insuportável, mas sobretudo porque afeta muito as pessoas que você gosta”, afirmou.
Barroso também disse ver com simpatia a criação de um código de ética para os ministros do STF, embora tenha avaliado que o momento para discutir a proposta pode não ter sido o mais adequado.
O ex-ministro anunciou sua aposentadoria em outubro de 2025, após mais de uma década no tribunal. Ele também comentou que costuma ser alvo frequente de ataques nas redes sociais, mas afirmou não apagar mensagens do celular.
“Como eu tenho má memória, tenho mensagens de trocentos anos atrás”, disse.
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