Brasileiro abre mão de recorde e ajuda rival na Maratona nos EUA
Atleta paulista vê concorrente em colapso e cruza a linha de chegada ao lado de britânico e norte-americano
Um gesto na reta final da Maratona de Boston transformou o brasileiro Robson Gonçalves de Oliveira em um dos nomes mais comentados da edição deste ano. Na segunda-feira (20), o corredor abriu mão da tentativa de bater o próprio recorde para ajudar um adversário em dificuldade a completar a prova.
A cena ocorreu já nos metros finais, quando o norte-americano Ajay Haridasse caiu e demonstrou sinais de exaustão. O primeiro a parar foi o britânico Aaron Beggs, que tentou levantá-lo. Em seguida, Robson se juntou ao esforço. Com os braços apoiando o atleta, os três seguiram juntos até cruzar a linha de chegada.
O brasileiro vinha em ritmo forte e tinha chance de superar sua melhor marca pessoal. Ainda assim, optou por interromper a corrida ao perceber a situação do outro competidor. “Foi uma decisão de segundos”, relatou nas redes sociais, ao descrever o momento em que avistou o corredor em colapso e decidiu agir.
Robson completou a maratona em 2h44min, acima de sua meta, mas o tempo acabou ficando em segundo plano. A imagem do trio chegando junto rapidamente se espalhou e ganhou destaque em veículos internacionais, que passaram a classificar o brasileiro e o britânico como “heróis” e “superstars” da prova.
Morador de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Robson tem 36 anos e trabalha como operador de máquinas em uma indústria. Pai de uma menina com deficiência auditiva, ele concilia a rotina de treinos com jornadas de trabalho que avançam pela madrugada.
A trajetória no atletismo começou há cerca de uma década, ainda de forma amadora, com treinos esporádicos e distâncias curtas. A primeira maratona veio em 2019, em São Paulo. Desde então, acumulou participações e chegou a Boston com o objetivo de baixar seu melhor tempo, registrado anteriormente em Buenos Aires.
“Não foi a primeira vez e tenho certeza que não será a última. Eu sei que o número é legal, e sei o quão eu batalho e quão difícil é, quero melhorar esse número, mas sempre que houver oportunidade de retribuir aquilo que é o bem maior da humanidade irei fazer, um dia, quem sabe, consigo quebrar a barreira das 2h40 correndo 42km continuamente”, completou Robson.
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