Caso Davi Silva: policial nega acusações e apresenta versões divergentes durante júri
Durante interrogatório, Eudecir Gomes negou participação no desaparecimento do adolescente
Teve continuidade na tarde desta segunda-feira (4), no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, no bairro do Barro Duro, em Maceió, o julgamento relacionado ao desaparecimento do adolescente Davi da Silva, ocorrido em 2014. Durante a sessão, um dos réus, o policial militar Eudecir Gomes de Lima, prestou depoimento e negou todas as acusações que pesam contra ele.
Questionado pelo juiz, Eudecir afirmou que as acusações são “falsas” e negou participação no desaparecimento do adolescente. Durante o interrogatório, ele confirmou que a viatura da guarnição passou pela região do conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes, no dia do desaparecimento, mas alegou que a equipe não entrou no local.
O PM relatou que, na ocasião, estava em uma viatura modelo Palio Weekend, utilizando farda camuflada, e disse que integravam a guarnição policiais conhecidos pelos apelidos “Raio” e “Pitbull”. Segundo ele, era o comandante da equipe naquele dia.
Ao ser questionado sobre as características do uniforme usado à época e o que o diferenciava de outras unidades que utilizavam fardamento rajado, Eudecir respondeu que a Força Nacional utilizava boina vinho e uma farda de tonalidade mais clara. Na sequência, a promotoria questionou se a viatura da Força Nacional também possuía identificação com a figura de um cachorro pitbull, ao que o réu respondeu: “Não sei, só sei que a nossa tinha”.
Ao detalhar o trajeto realizado pela guarnição, Eudecir afirmou que os policiais saíram da Rádio Patrulha, seguiram para uma padaria no bairro Jaraguá por volta das 6h50 e, em seguida, foram ao Centro de Convenções. Depois, teriam se deslocado para o Benedito Bentes por volta das 7h30, mas disse não saber precisar o horário exato em que chegaram ao complexo.
Em um dos momentos do depoimento, o juiz questionou a velocidade média de uma viatura em patrulhamento. Eudecir respondeu que não saberia informar, limitando-se a afirmar que o veículo trafegava em “velocidade de patrulhamento”.
O Ministério Público confrontou o depoimento com declarações prestadas anteriormente e apontou contradições. A promotoria destacou que, em depoimento prestado um mês após o desaparecimento, Eudecir afirmou ser impossível que a guarnição tivesse chegado ao Benedito Bentes no horário apontado pela acusação.
Outra divergência foi levantada ao ser mencionado que, pela primeira vez no processo, o réu citou que a equipe estaria na região por trás do Shopping Pátio. Ao ser questionado sobre o local exato, ele alegou não conhecer bem Maceió. A promotoria também confrontou essa versão com o depoimento de outro acusado, que teria informado que, no mesmo horário, a equipe estaria na região da Cachoeira do Meirim.
Durante o depoimento, Eudecir informou ainda que continua na ativa, atualmente lotado no Bope, e afirmou ter desenvolvido problemas psicológicos em decorrência do caso.
JÚRI POPULAR
O julgamento, que teve início nesta segunda-feira, deve seguir até terça-feira (5). Familiares de Davi acompanham a sessão e cobram respostas sobre o paradeiro do adolescente, desaparecido há quase 12 anos.
Davi tinha 17 anos quando desapareceu, em 25 de agosto de 2014, após ser abordado por uma equipe do Batalhão de Rádio Patrulha no conjunto Cidade Sorriso I. Desde então, o corpo do jovem nunca foi localizado.
Quatro integrantes da Polícia Militar respondem ao processo: Nayara Silva de Andrade, Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos. Eles são acusados de crimes como tortura, sequestro, cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
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