Justiça

Caso Davi: promotor cita caso do goleiro Bruno ao falar em ocultação de cadáver

Pai da vítima passou mal novamente e precisou ser retirado da sala

Por Wanessa Santos 05/05/2026 10h10 - Atualizado em 05/05/2026 13h01
Caso Davi: promotor cita caso do goleiro Bruno ao falar em ocultação de cadáver
Promotor Thiago Riff rebateu a tese de que a ausência do corpo inviabilizaria a comprovação do crime - Foto: Assessoria MPAL / Reprodução

Teve início, nesta terça-feira (5), o segundo dia de julgamento dos quatro ex-policiais militares acusados de torturar, sequestrar, manter em cárcere privado, assassinar e ocultar o corpo de Davi Cícero Lourenço da Silva. Nayara Silva de Andrade, Victor Rafael Martins da Silva, Eudecir Gomes de Lima e Carlos Eduardo Ferreira dos Santos devem ter as sentenças definidas ainda hoje, após a decisão dos jurados.

A sessão começou com novo mal-estar do pai da vítima, Cícero Lourenço da Silva, que precisou ser retirado do plenário e atendido por equipe médica. O episódio ocorreu após o promotor de Justiça Thiago Riff mencionar que o corpo de Davi segue desaparecido, ponto central da acusação e motivo recorrente de cobrança por parte da família.

Em sua fala, o promotor rebateu a tese de que a ausência do corpo inviabilizaria a comprovação do crime. Segundo ele, esse argumento costuma ser utilizado pela defesa, mas não impede a responsabilização. Para sustentar a afirmação, citou casos semelhantes, entre eles o do ex-goleiro Bruno, condenado pela morte de Elisa Samudio, mesmo sem a localização do corpo.

O representante do Ministério Público também afirmou que não se pode presumir que a vítima esteja viva apenas pela ausência de restos mortais. Disse ainda que a expectativa da família pelo retorno de Davi não se sustenta diante das circunstâncias do caso.

Durante a sustentação, Riff mencionou a morte de Raniel, uma das testemunhas do processo. Ele afirmou que o homem chegou a deixar o estado, retornou e foi assassinado três dias após a abordagem que resultou na morte de Davi. Também destacou que o crime ocorreu 48 horas depois de Raniel ter deixado o Programa de Proteção a Testemunhas.

O promotor apresentou ainda trechos da investigação e disse que houve dificuldade para reunir testemunhas, em razão do medo. Segundo ele, o receio estaria relacionado ao fato de os acusados serem policiais militares. Citou que, mesmo nesse contexto, Raniel reconheceu quatro integrantes da guarnição ao analisar um conjunto de 62 fotografias, em depoimento prestado quando se sentia protegido pelas autoridades.

O julgamento segue em andamento no Fórum de Maceió e deve ser concluído ainda nesta terça-feira (5).