[Vídeo] Inquérito descarta drogas e aponta embriaguez de policial que matou colegas em Delmiro
Gildate Goes foi indiciado pelas mortes de Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos
A Polícia Civil de Alagoas concluiu o inquérito que investigou as mortes dos policiais civis Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, assassinados dentro de uma viatura no município de Delmiro Gouveia, no Sertão do estado. O policial civil Gildate Goes foi indiciado pelos homicídios. Segundo a investigação, ele havia consumido bebida alcoólica antes do crime.
O caso ocorreu no dia 20 de maio e causou grande repercussão dentro e fora da corporação. De acordo com a Polícia Civil, logo após os disparos, equipes iniciaram diligências e localizaram Gildate na residência da companheira dele. O agente foi preso em flagrante.
Durante entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira (17), o delegado Flávio Dutra afirmou que as provas reunidas ao longo da investigação demonstram que o policial estava embriagado no momento do crime.
"Temos comprovantes de cartão de crédito, comprovantes das contas que houve o consumo de bebida alcoólica e também vídeos que mostram ele saindo do local e fazendo todo o percurso até a casa da companheira. Ele aparece extremamente cambaleando. Esse resultado negativo no exame é irrelevante para a investigação. Ele estava, sim, comprovadamente bêbado", declarou.
Ao todo, 18 pessoas foram ouvidas durante o inquérito, entre elas quatro testemunhas oculares. Segundo a polícia, os relatos confirmam que dois disparos foram efetuados dentro da viatura, com intervalo de aproximadamente quatro a seis segundos.
"As testemunhas confirmaram que ouviram dois estampidos e, logo depois, viram o Gildate sair do banco traseiro ainda com a arma em punho", afirmou o delegado Flávio Dutra.
A investigação também incluiu perícias nas armas, munições e celulares dos envolvidos, além de exames toxicológicos. Os resultados descartaram o uso de drogas ilícitas ou medicamentos controlados pelos três policiais.
Os exames de alcoolemia realizados nas vítimas apontaram concentração de álcool no organismo. Iago Gomes Pereira apresentou índice de 2,1 gramas por litro de sangue, enquanto Denivaldo Jardel Lira Moraes registrou 2,3 gramas por litro.
Já o exame feito em Gildate apresentou resultado negativo. No entanto, a Polícia Civil destacou que a coleta foi realizada cerca de 15 horas após o crime, o que teria comprometido a detecção do álcool.
"Nenhum dos três possuía no organismo qualquer substância ilícita ou medicamento controlado. Quanto ao álcool, há diversos outros elementos que comprovam o consumo por parte do investigado", explicou o delegado.
Apesar da gravidade do caso, a Polícia Civil concluiu que não houve premeditação. Em depoimento, Gildate manteve a versão de que não se recorda do momento dos disparos.
Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado ao Ministério Público de Alagoas e à Corregedoria da Polícia Civil, que deverão analisar as medidas criminais e administrativas cabíveis.
"O que podemos fazer como comissão e como Polícia Civil neste momento é dar conhecimento ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para que todas as providências sejam adotadas", destacou um dos integrantes da comissão responsável pela investigação.
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