Ufal aprova cotas para travestis, transexuais, transgênero e não binários
Medida reserva, no mínimo, 2% das vagas por curso; ingresso terá edital próprio em 2026.2 e implementação pelo Sisu a partir de 2027
O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) informou nesta quinta-feira (7) que aprovou a Política de Ações Afirmativas para Pessoas Trans no acesso aos cursos de graduação da instituição. A proposta, construída pela Comissão de Elaboração da Política Afirmativa para Acesso e Permanência de Pessoas Trans, estabelece a reserva mínima de 2% das vagas ofertadas por curso, turno e local de oferta, com garantia de pelo menos uma vaga em cada curso.
A política contempla pessoas travestis, transexuais, transgênero, não binárias e com vivências de variabilidade de gênero, cuja identidade de gênero não corresponde ao sexo atribuído no nascimento. De acordo com a proposta apresentada ao Consuni, a medida tem como objetivo “promover equidade, igualdade e diversidade na educação superior”, além de “prevenir e enfrentar desigualdades, preconceitos, discriminações e violências motivadas pela identidade de gênero”.
O reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, destaca que mais de 40 universidades públicas já adotam essas modalidades de cota no Brasil: “Isso está em plena sintonia com todas as políticas de acesso ao ensino superior. A própria Ufal já tem essa política instituída para as atividades de pós-graduação por uma resolução do Consuni desde 2022, e agora, a partir do segundo semestre de 2026, adota também para os cursos de graduação”, ratificou.
A pró-reitora de Graduação, Eliane Barbosa, acrescentou que “o alinhamento institucional, tendo em vista que a proposta ratifica a missão da Ufal como instituição pública e plural, traduz o compromisso da Universidade com a inclusão e a defesa dos direitos humanos em ações administrativas e acadêmicas concretas”.
A implementação da Política ocorrerá em duas etapas. Para o semestre 2026.2, o ingresso será realizado por meio de processo seletivo próprio, com edital específico. A partir de 2027, a oferta das vagas reservadas deverá ser incorporada ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), ampliando a política afirmativa para o fluxo regular de ingresso na graduação.
“É importante dizer que isso não subtrai nenhuma vaga do que a gente chama de concorrência aberta para aquelas vagas que não são destinadas a cotistas. Essas cotas para pessoas trans são uma subcota dentro das cotas que já são reservadas para pessoas que estudaram integralmente o ensino médio nas escolas públicas”, explicou Tonholo.
Construção coletiva
O processo de construção da política foi organizado em grupos de trabalho, com frentes voltadas à minuta da resolução, elaboração do edital, comissão de validação da autodeclaração e ações de permanência. As atividades da comissão reuniram discussões realizadas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, além de reuniões específicas dos grupos de trabalho nos meses de março e abril deste ano.
Entre os encaminhamentos, foram tratados aspectos como a redação jurídica da resolução, a fundamentação técnica e legal da política, a composição das comissões de validação e as propostas de acolhimento psicossocial para estudantes ingressantes.
A política prevê a constituição de comissão de validação da autodeclaração, com participação de servidores docentes e técnico-administrativos da Ufal, preferencialmente pessoas trans ou integrantes com atuação em pesquisa, extensão ou função relacionada ao tema. Também está prevista a presença de pessoa trans da comunidade acadêmica ou de representação da comunidade trans atuante no território de Alagoas.
A comissão vai monitorar a política a longo prazo. O percentual de vagas reservadas deverá ser reavaliado pelo Consuni a cada dez anos, podendo ser alterado caso haja nova legislação federal sobre o tema.
Permanência estudantil
Além do acesso, a política também considera a permanência das pessoas trans na Universidade. Uma das frentes de trabalho ficou responsável por discutir ações de acolhimento, apoio psicossocial e estratégias institucionais para garantir condições efetivas de permanência no ensino superior.
“Não adianta somente a gente inserir, é preciso fazer o mapeamento dessas pessoas e dar suporte biopsicossocial e econômico. Para além disso, estamos planejando um processo de formação, tanto de estudantes, para que a gente consiga ter estudantes qualificados para o atendimento desse público, e a formação de servidores técnicos e administrativos. Essas pessoas vão chegar na universidade e precisam ser acolhidas e bem tratadas em todos os espaços”, disse o professor Waldemar Neves.
Em relação aos serviços de saúde, a Faculdade de Medicina da Ufal (Famed) já realiza trabalhos específicos nos cenários de prática com pessoas trans por meio dos estágios obrigatórios, das residências de Medicina, Família e Comunidade, e a Multiprofissional, além, do Espaço Trans dentro do HU.
“A Universidade já está formatando uma rede de cuidado e de assistência para os estudantes e também para as pessoas do 6º e 7° distritos [que contemplam os bairros da parte alta de Maceió]. Então, a gente vai ter profissionais que vão fazer atendimento qualificado com psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, médicos psiquiatras e endocrinologistas que vão fazer o acompanhamento dos estudantes que a gente já tem e dos que vão ingressar”, adianta Waldemar sobre o serviço que começa ainda neste mês de maio.
Veja também
Últimas notícias
Francisco Sales critica abastecimento de água e cobra fiscalização das concessionárias em AL
Colisão entre carro e moto deixa vítima ferida na AL-101 Norte em Maragogi
Plenarinho aplica redações para 4700 estudantes de escolas de Maceió
Prefeitura de Arapiraca inicia cadastramento de moradores para coleta seletiva
Prefeito de Arapiraca entrega reforma da praça Paineiras e de ginásio poliesportivo
Presidente Lula chega à Casa Branca para encontro com Trump
Vídeos e noticias mais lidas
Publicado edital para o concurso do Detran; veja cargos e salários
Jovem morre após complicações de dengue hemorrágica em Arapiraca
Estudantes se formam na Uninassau Arapiraca e descobrem que curso não é reconhecido
Com avanço das obras, novo binário de Arapiraca já recebe sinalização e mobiliários urbanos
