PM retira e detém alunos em prédio da USP após ocupação relâmpago
Segundo alunos, a ocupação foi motivada por demandas relacionadas ao auxílio permanência, processos contra estudantes e alimentação
Estudantes ocuparam, na noite desta segunda-feira (8/6), o prédio da Administração Central da Universidade de São Paulo (USP), no campus Butantã, na zona oeste da capital paulista. Segundo relatos de alunos, a ocupação foi realizada em protesto contra medidas da universidade relacionadas à permanência estudantil e terminou após a intervenção da Polícia Militar (PM). Os manifestantes afirmam que ao menos 10 estudantes foram detidos durante a desocupação.
De acordo com relatos de um dos alunos, o ato começou por volta das 19h e ocorreu no prédio que abriga a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento. Entre as principais reivindicações dos estudantes, estão: o reajuste de R$ 300 no Programa de Apoio à Permanência (PAP), a suspensão de processos disciplinares e judiciais contra alunos que participaram de greves e ocupações anteriores, além de mudanças nos contratos de empresas responsáveis pela alimentação em restaurantes universitários.
Ainda de acordo com os estudantes, desocupação aconteceu por volta das 20h, após a chegada da Polícia Militar. Os universitários afirmam que ao menos 10 pessoas foram detidas durante a ação. Também relatam que houve confronto durante a retirada dos manifestantes, com alunos feridos. Um estudante teria desmaiado durante a abordagem policial, enquanto uma aluna teria sido atingida na região do rosto.
Os manifestantes também cobram que a universidade reveja a decisão de cancelar o apoio ao transporte de estudantes de Pedagogia que participariam do 43º Encontro Nacional de Estudantes de Pedagogia (ENEPe). Segundo os alunos, o benefício já havia sido garantido anteriormente e a mudança teria ocorrido após as recentes mobilizações estudantis.
Até a publicação desta reportagem, a USP e a Polícia Militar não haviam se manifestado sobre a ocupação nem sobre as alegações feitas pelos estudantes. O espaço segue aberto para manifestações.
O que está acontecendo na greve da USP
Estudantes de 104 cursos da Universidade de São Paulo estão em greve por tempo indeterminado, segundo levantamento do Diretório Central dos Estudantes (DCE).
A paralisação foi anunciada em 14 de abril e tem como foco críticas à precarização dentro da universidade.
O movimento reúne alunos de unidades da capital e também do interior paulista.
Na capital, participam estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), Escola Politécnica (Poli) e Escola de Comunicações e Artes (ECA).
No interior, há adesão em cursos da USP São Carlos e do campus de Ribeirão Preto, incluindo áreas como Química, Educação Física e Psicologia.
O que os estudantes pedem
Melhorias nas condições dos restaurantes universitários e críticas à privatização dos bandejões.
Aumento do valor do auxílio permanência (PAPFE) para o equivalente a um salário mínimo paulista.
Ampliação dos programas de permanência estudantil.
Defesa de espaços estudantis dentro da universidade.
Igualdade de condições entre docentes e funcionários.
Paralisação
Os alunos da universidade já haviam feito paralisação em 14 de abril em defesa das demandas e também em apoio à greve dos funcionários, aprovada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), que reivindica reajuste salarial e benefícios oferecidos aos professores.
Ao todo, 104 cursos nos campi do Butantã, da zona leste, do Largo do São Francisco, no Quadrilátero da Saúde, no centro, além dos campi do interior aderiram ao ato. Como forma de sinalizar o protesto, os alunos organizaram “piquetes” nos prédios dos institutos, empilhando mesas, cadeiras e outros objetos na entrada das salas de aula, para interditar a passagem.
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