Vítima de tentativa de feminicídio nunca registrou queixa contra o companheiro, afirma delegada
A mulher teve aproximadamente 90% do corpo queimado
A vítima de tentativa de feminicídio no bairro do Tabuleiro dos Martins, que teve aproximadamente 90% do corpo queimado após ser atacada pelo companheiro, nunca procurou a polícia para registrar ocorrências de violência doméstica nem solicitou medidas protetivas de urgência. A informação foi divulgada nesta terça-feira (30) pela delegada Ana Luísa Nogueira, responsável pela investigação do caso.
De acordo com a autoridade policial, familiares relataram que o relacionamento era marcado por situações de agressão e conflitos, mas nenhum episódio havia sido oficialmente comunicado às forças de segurança. A falta de denúncias, segundo a delegada, impossibilitou a adoção de providências legais que poderiam afastar o suspeito e ampliar a proteção da vítima.
A delegada destacou que o caso reforça a importância da denúncia em situações de violência doméstica. Segundo ela, muitos agressores mantêm uma postura aparentemente tranquila diante de amigos e familiares, enquanto praticam violência no ambiente privado. Sem conhecimento prévio dos fatos, explicou, os órgãos de segurança ficam impedidos de agir preventivamente.
O suspeito permanece preso após ter sido autuado em flagrante por tentativa de feminicídio. Ele foi localizado após procurar atendimento médico em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Tabuleiro do Martins, em Maceió, apresentando queimaduras em uma das pernas, lesão que teria sido causada durante a execução do crime.
As investigações apontam que o homem não aceitava o fim do relacionamento. Conforme apurado pela Polícia Civil, ele teria levado a companheira para uma área isolada, onde utilizou um líquido inflamável e ateou fogo contra a vítima.
A mulher sofreu queimaduras em quase todo o corpo e segue internada em estado gravíssimo no Hospital Geral do Estado (HGE), onde recebe tratamento intensivo.
O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher 2 (DEAM 2), que instaurou inquérito logo após tomar conhecimento da ocorrência. A expectativa é que o procedimento seja concluído dentro do prazo legal.
Segundo Ana Luísa Nogueira, diante da gravidade dos fatos e das circunstâncias do crime, o investigado poderá responder por tentativa de feminicídio com agravantes, estando sujeito a uma das punições mais severas previstas na legislação brasileira, cuja pena pode alcançar até 40 anos de prisão.
A delegada afirmou ainda que a Polícia Civil buscará a responsabilização do acusado com o máximo rigor previsto em lei, destacando a extrema violência empregada na ação criminosa.
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