Polícia

Morte em salto de rope jump: MP denuncia quatro por homicídio com dolo eventual

Denúncia foi formalizada nesta terça-feira (7). Maria Eduarda Rodrigues, de 21 anos, foi lançada sem cordas na manhã do dia 13 de junho no interior de SP.

Por 7Segundos com G1 08/07/2026 18h06 - Atualizado em 08/07/2026 18h06
Morte em salto de rope jump: MP denuncia quatro por homicídio com dolo eventual
Quatro pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil por morte em rope jump - Foto: Reprodução

O Ministério Público (MP) de São Paulo acusou os quatro presos pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, lançada sem cordas durante um salto de rope jump a 40 metros de altura, na Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP).

Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra, Vitor de Freitas Gonçalves e Evelyne dos Santos Gonçalves foram indiciados por homicídio com dolo eventual qualificado — quando se assume o risco de matar —, acompanhando a conclusão do relatório final do inquérito policial. Eles seguem presos.

Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves - homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima

Evelyne dos Santos Gonçalves - homicídio com dolo eventual, qualificado por omissão imprópria, e fraude processual

O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.

A tragédia aconteceu na manhã do dia 13 de junho de 2026. A partir da denúncia do MP, registrada por volta das 18h desta terça-feira (7).

Na denúncia, o MP sustenta que os responsáveis pela execução do salto "tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias", como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.

"A denúncia também aponta que o grupo atuava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais aplicáveis e priorizava interesses econômicos e a divulgação dos saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes", completou.

O que dizem as defesas

A defesa de Maicon Fernandes e Luis Felipe informou que discorda da denúncia do MP. Segundo a defesa, os integrantes não tiveram a intenção de matar a vítima ou assumiram o risco da conduta.

“A defesa discorda ainda, das qualificadoras constantes na denúncia e demonstrará em Juízo a conduta culposa dos réus, sem incidência de quaisquer qualificadoras para o crime”, escreve o advogado Rafael Gomes dos Santos.

A defesa de Evelyne informou que já teve acesso à denúncia e que vai se pronunciar em momento oportuno.

O g1 tenta contato com a defesa de Vitor de Freitas.

Próximos passos


O Ministério Público pediu manutenção da prisão preventiva dos três homens. Em relação à mulher, solicitou a conversão da prisão temporária em preventiva.

"Ao buscar a condenação dos acusados, os promotores pediram também que o Poder Judiciário fixe pagamento de R$ 200 mil em reparação aos danos causados", completou o MP em nota.

Agora, a Justiça irá analisar se aceita ou não a denúncia. Se ela aceitar, será realizada uma audiência de instrução para ouvir os réus e definir se eles vão a júri popular. Os presos são investigados, nenhum deles foi condenado até o momento.

Indiciamentos

A Polícia Civil investigou oito pessoas em dois inquéritos que apuraram a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, lançada sem cordas durante um salto de rope jump.

O primeiro inquérito foi concluído no dia 22 de junho e indiciou três instrutores ligados ao salto por homicídio com dolo eventual, quando o autor não tem a intenção direta de matar a vítima, mas assume o risco de produzir esse resultado. São eles: Luis Felipe Feliciano Egoroff, Maicon Fernandes Cintra e Vitor de Freitas Gonçalves.

No primeira semana de julho, a polícia concluiu o segundo inquérito e indiciou Evelyne dos Santos Gonçalves, apontada como organizadora do evento, por homicídio e fraude processual.

Os quatro indiciados estão presos. Já João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva e Gabriel Barros Martins também chegaram a ser presos, mas a polícia solicitou a revogação das prisões.

Infográfico - Jovem de 21 anos morre após ser lançada sem corda de ponte de 40 metros em Limeira — Foto: Arte/g1