Mesmo com festas juninas e Copa, endividamento cai na capital alagoana
Indicador teve queda de 0,5 pontos percentuais e ficou em 82,7%. Volume continua alto e indica que o orçamento comprometido freou os gastos sazonais
Nordestino raiz sabe que o mês de junho traz uma despesa extra com os festejos juninos e o Dia dos Namorados. Quando coincide com a Copa do Mundo, então, aumentam as celebrações. Mas, este ano, esse movimento parece não ter impactado o orçamento do maceioense. É que a Pesquisa do Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), do Instituto Fecomércio AL em parceria com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta uma redução mensal de 0,5 ponto percentual (p.p.) no volume de endividados, ficando em 82,7% frente aos 83,2% registrados em maio.
A queda mensal, entretanto, não representa uma reversão estrutural, segundo analisa o assessor econômico do Instituto Fecomércio, Lucas Sorgato. Isso porque o percentual de endividados continua superior ao observado um ano antes e se mantém acima de 80%, mostrando que mais de oito em cada dez famílias possuem algum compromisso financeiro. “A base familiar já está comprometida com parcelas, cartões, carnês ou empréstimos. Por isso, o recuo no endividamento, em junho, pode indicar uma maior cautela dos consumidores; a utilização de renda corrente para as compras sazonais; ou a dificuldade de acesso a novos limites de crédito após vários meses de comprometimento financeiro elevado”, ressalta.
Esse arrocho orçamentário pode ser percebido, também, por meio do aumento da inadimplência, já que o percentual de famílias com contas em atraso subiu de 36% para 36,6%, um acréscimo mensal de 0,60 p.p.. Mesmo permanecendo abaixo dos 40,30% de junho de 2025, o avanço demonstra que parte das dívidas assumidas nos primeiros meses do ano seguem pressionando o orçamento. “O consumidor chega ao mês de junho enfrentando não apenas as despesas correntes, mas, também, as parcelas acumuladas do início do ano e as novas compras relacionadas às datas comemorativas”, reforça Sorgato.
Intensidade das dívidas diminui
Entre maio e junho, houve queda no percentual de famílias classificadas como muito endividadas, saindo de 15,2% para 14%, e nas que se consideram mais ou menos endividados, passando de 43,8% para 40%. Porém, o volume das famílias pouco endividadas cresceu 4,6 p.p., saindo de 24,2% para 28,8%. Essa mudança pode refletir ajustes orçamentários como renegociações, quitação de parcelas ou utilização de recursos recebidos nos meses anteriores para reorganizar o orçamento.
Entre as famílias de menor renda (até 10 salários mínimos – 10 SM), o endividamento se manteve acima de 80% durante boa parte do período recente e encerrou junho em 83%, comportamento que reforça a função do crédito como complemento do orçamento doméstico. Já entre as famílias de renda superior maior (mais de 10 SM), o avanço foi mais intenso: em um ano, saiu de 67% (junho de 2025) para 78% (junho de 2026). “O que se percebe é uma disseminação do endividamento. Embora as famílias de renda mais alta tenham maior capacidade de pagamento, elas também utilizam crédito para bens e serviços de maior valor, como veículos, imóveis, viagens, educação privada e serviços especializados. Os juros elevados encarecem essas decisões e podem reduzir a folga financeira mesmo de consumidores mais solventes”, explica Sorgato.
De acordo com a pesquisa, o cartão de crédito segue na liderança do principal meio de endividamento (95,5%), mas carnês (24,6%), crédito pessoal (20,8%) e financiamento de carro (4,2%) e de casa (3,8%) são os débitos que mais comprometem os orçamentos. O tempo médio de comprometimento do orçamento familiar é de 26 semanas. Entre os inadimplentes, a média de atraso das contas é de 67 dias.
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