Maritacas são pintadas como papagaios para valer mais no tráfico de animais no RJ
Aves resgatadas na Feira de Caxias tiveram o rosto pintado de amarelo e as penas das asas e da cauda cortadas. Segundo veterinários, prática é frequente e pode causar intoxicação
Três maritacas resgatadas pelo Ibama na Feira de Caxias, na Baixada Fluminense, chegaram ao centro de reabilitação com o rosto pintado de amarelo para se parecerem com papagaios – espécie que costuma alcançar preços mais altos no mercado ilegal.
Além da tinta, os traficantes cortaram parte das penas das asas e da cauda das aves. Os animais estão em recuperação no Instituto Vida Livre, no Horto, Zona Sul do Rio, onde recebem tratamento veterinário e ainda não têm previsão de retorno à natureza.
Segundo o médico-veterinário Lucas Rebelo, a tinta utilizada pode provocar diversos problemas de saúde.
"A tinta, dependendo da tinta que for usada, pode causar intoxicação, alteração hepática e alteração renal. Esses problemas podem aparecer ao longo do período de recuperação."
O veterinário explica ainda que o corte das penas prolonga o tratamento antes da volta à natureza.
"O corte das penas atrasa muito o processo de reabilitação e soltura. É preciso esperar que essas penas cresçam novamente para que as aves consigam voar adequadamente."
Aves chegaram abatidas
No viveiro do Instituto Vida Livre, o comportamento das maritacas também chama atenção. Segundo os tratadores, os animais chegam visivelmente debilitados, tanto física quanto comportamentalmente.
"Não é só impressão. Elas realmente ficam tristes porque foram muito maltratadas. Aqui a gente dá carinho, cuida da alimentação, troca as casinhas e faz todo o trabalho para que elas consigam se recuperar", afirma o tratador Roberto Fonseca.
As três aves passam por exames veterinários e seguem sob monitoramento. Uma delas chegou em estado mais grave, cerca de 30 gramas abaixo do peso ideal. Por isso, foi isolada em um ambiente climatizado, equipado com aquecedor para facilitar a recuperação.
Resgate na Feira de Caxias
As maritacas foram apreendidas pelo Ibama na Feira de Caxias, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, local conhecido pelo histórico de comércio ilegal e maus-tratos contra animais.
Por serem aves jovens e estarem debilitadas, os especialistas avaliam que elas poderiam não ter sobrevivido se permanecessem por mais tempo nas mãos dos traficantes.
Segundo Lucas Rebelo, casos como esse são recorrentes.
"Infelizmente é algo frequente. Recebemos com certa frequência animais pintados para serem vendidos como papagaios, que têm um valor comercial maior dentro do tráfico."
Tráfico mata a maioria dos animais capturados
Dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) mostram a dimensão do problema.
Segundo a entidade, cerca de 38 milhões de animais silvestres são capturados todos os anos no Brasil. Desse total, 9 em cada 10 morrem antes mesmo de chegar ao comprador final, em consequência das condições de captura, transporte e armazenamento.
No Rio de Janeiro, a unidade do Ibama em Seropédica recebeu 7.409 animais apreendidos em 2025. Em 10 anos, o órgão contabilizou mais de 48 mil animais resgatados.
Compra alimenta a cadeia de maus-tratos
Enquanto as três maritacas seguem em recuperação, outra ave atendida pelo Instituto Vida Livre já está próxima de voltar à natureza. Ela foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros nas proximidades da Floresta da Tijuca, também com as asas cortadas e infestada por parasitas, mas sem ter sido pintada pelos traficantes.
Para os especialistas, a conscientização da população é uma das principais formas de combater esse tipo de crime.
"Recorrer ao tráfico nunca é uma opção. Para que um animal chegue à casa de alguém, vários outros morreram. E mesmo aquele que sobreviveu sofreu muito para estar ali", afirma o veterinário Lucas Rebelo.
Veja também
Últimas notícias
Vítima de acidente com caminhão em Palmeira dos Índios é identificada
Girau do Ponciano gera mais de 380 empregos com empresa de call center
Polícia confirma que empresário morto em Coruripe tinha passado criminoso
Caminhoneiro consegue salvar cabine de carreta em incêndio
Ziane Costa visita obras de reforma escolar no Povoado Cruz
Polícia abre inquérito para investigar assassinatos semelhantes na Jatiúca
Vídeos e noticias mais lidas
MP sugere caminhões frigoríficos para armazenar corpos de vítimas da Covid-19
Nova lei reorganiza efetivo da PM de Alagoas; entenda o que muda
Governo de Alagoas entrega restauração da rodovia AL-105 em julho
Duas lojas anunciam encerramento das atividades no Centro de Arapiraca
