Relatório sobre queda de avião que matou morador de Maceió aponta falha em sistema
Cenipa concluiu investigação técnica sobre acidente da Voepass e identificou problemas no sistema de degelo da aeronave
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, nesta quinta-feira (23), o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, que deixou 62 mortos, entre eles o representante comercial Ronaldo Cavaliere, de 43 anos, morador do bairro da Jatiúca, em Maceió.
O documento reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) e aponta que a aeronave apresentou falhas no sistema de degelo (de-icing) antes do acidente, mas os problemas não foram registrados pela tripulação no diário técnico de bordo.
Segundo o Cenipa, o ATR 72 já havia apresentado a mesma falha durante o último pouso realizado no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) e também na véspera do acidente. Em ambas as ocasiões, a ocorrência deixou de ser registrada, impedindo que a manutenção fosse formalmente comunicada.
Durante a apresentação do relatório, o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes afirmou ainda que pilotos desse modelo de aeronave costumam minimizar alertas de perda de velocidade, comportamento considerado relevante para a compreensão da dinâmica do acidente.
O Cenipa reforçou que a investigação tem caráter exclusivamente preventivo e não tem como objetivo apontar culpados. O trabalho busca identificar fatores que contribuíram para a tragédia e apresentar recomendações para evitar novos acidentes.
Enquanto isso, a Polícia Federal continua conduzindo um inquérito para apurar possíveis responsabilidades criminais. A expectativa é que a investigação seja concluída e encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF) em agosto.
Relembre o caso
O acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o avião da Voepass saiu de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A aeronave caiu em um condomínio no bairro Jardim Florido, em Vinhedo (SP), matando todas as 62 pessoas a bordo, entre passageiros e tripulantes.
Entre as vítimas estava Ronaldo Cavaliere, natural de Mogi das Cruzes (SP) e morador da Jatiúca, em Maceió. O representante comercial viajava para participar de uma convenção da empresa onde trabalhava, em São Paulo. Ele deixou um filho.
Após o acidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Passaredo Transportes Aéreos, principal empresa do grupo Voepass, por falhas consideradas graves e persistentes no sistema de supervisão de manutenção.
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