Acidentes

Voepass: Cenipa simula dinâmica do voo que matou 62 pessoas em 2024

Relatório final aponta falhas operacionais, conversa entre pilotos e cultura de desvios na empresa antes do acidente

Por 7Segundos, com Metrópoles 24/07/2026 14h02 - Atualizado em 24/07/2026 15h03
Voepass: Cenipa simula dinâmica do voo que matou 62 pessoas em 2024
Relatório final aponta falhas operacionais, conversa entre pilotos e cultura de desvios na empresa antes do acidente - Foto: Reprodução/Vídeo

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, nesta quinta-feira (23), um vídeo que simula os momentos finais do voo 2283 da Voepass, que caiu em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024.

Considerada a maior tragédia aérea registrada no Brasil desde 2007, a queda ocorreu durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). Morreram as 62 pessoas que estavam a bordo da aeronave, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.

Aeronave não deveria ter decolado, aponta relatório

Ao longo da investigação, o Cenipa realizou dezenas de perícias para reconstruir o voo e identificar a sequência de eventos que levou à queda do avião.

Entre os trabalhos, foram analisados equipamentos responsáveis pelo funcionamento de diferentes sistemas da aeronave. Até as lâmpadas dos painéis de comando foram analisadas para verificar quais estavam acesas no momento do acidente.

Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador do Cenipa, o relatório concluiu que a aeronave não deveria ter decolado em um horário com previsão de chuva, porque apresentava uma falha no sistema do limpador de para-brisa.

A investigação também apontou que os pilotos conversavam sobre assuntos pessoais durante o voo e deixaram de acionar o sistema de degelo da aeronave, mesmo após alertas emitidos pelos equipamentos de bordo.

Outro ponto destacado no relatório é que a Voepass mantinha uma “cultura de normalização de desvios” em procedimentos operacionais, prática que, segundo o Cenipa, contribuiu para o cenário que antecedeu o acidente.

Em nota, a Voepass informou que só vai se manifestar após ter acesso à íntegra do relatório final da investigação.