Acusação diz que laudos contradizem versão da ré no júri de sargento
Assistentes do Ministério Público contestaram a tese de legítima defesa e citaram laudos periciais durante os debates
Os debates entre acusação e defesa marcaram a reta final do júri de Josefa Cícera Nunes Flores, acusada de matar o sargento da Polícia Militar Alessandro Fábio da Silva, nesta quinta-feira (6), no Fórum Desembargador Jairon Maia Fernandes, em Maceió.
Durante a sustentação, os assistentes de acusação José Paulo e Beatriz Carvalho defenderam a condenação da ré e afirmaram que ela apresentou versões diferentes sobre o crime ao longo da investigação.
Ao falar aos jurados, José Paulo destacou as perdas causadas pela morte do policial e afirmou que Alessandro Fábio não teve a oportunidade de viver a promoção que aguardava na carreira militar. “O neto não teve o prazer de conhecer o avô, as filhas menores cresceram sem o pai. E a sociedade também perdeu 31 anos de dedicação à sua proteção”, afirmou.
O assistente também lembrou que, em um dos depoimentos prestados durante a investigação, Josefa teria afirmado que matou o companheiro após descobrir que ele pretendia matar uma pessoa a mando de um delegado e que seria protegido por um juiz. Segundo a acusação, essa foi uma das três versões apresentadas pela ré para explicar o crime.
A acusação também contestou a tese de legítima defesa. De acordo com os assistentes, o laudo pericial aponta que o disparo foi efetuado à distância, circunstância que, segundo eles, é incompatível com uma reação imediata a uma agressão.
Outro ponto destacado foi o resultado da perícia na arma utilizada no crime. Conforme a acusação, o laudo indica que foram efetuados dois disparos e que houve uma tentativa de realizar um terceiro tiro, que não ocorreu porque a pistola possuía um dispositivo de segurança que travou o mecanismo.
Já em relação à alegação da defesa de que Josefa sofre de transtornos psicológicos, os assistentes afirmaram que não há comprovação dessa condição nos autos do processo, sustentando que a documentação médica apresentada faz referência apenas a um quadro de artrite.
Josefa Cícera confessou ter efetuado o disparo que matou o sargento Alessandro Fábio da Silva, em março de 2022, mas sustenta que agiu em legítima defesa. O julgamento segue no Fórum de Maceió.
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