Weintraub é alvo de inquérito do MPF por nota sobre protesto
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão instaurou inquérito ontem
Declarações e atos do ministro da Educação, Abraham Weintraub, contra estudantes e professores levaram duas procuradorias do Ministério Público Federal (MPF) a questionar sua conduta à frente da pasta.
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão instaurou inquérito ontem, depois de o ministro enviar nota às escolas em que desautoriza pais, alunos e professores a estimularem e divulgarem protestos.
Segundo o MPF, a nota fere artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como o que assegura à família e ao Estado o direito e o dever à educação. A procuradoria federal encaminhou ao Ministério da Educação um pedido para que cancele a nota enviada. O órgão deu prazo de dez dias para que o MEC informe se acatará a recomendação, sob risco de ficar sujeito a medidas judiciais.
O MPF também orientou a pasta a se abster de "cercear a liberdade de professores, pais e responsáveis, pela prática de manifestação livre de ideias".
Na quinta-feira, antes da divulgação da nota do ministro, o MPF já havia ajuizado ação civil pública na Justiça Federal do Rio Grande do Norte contra Weintraub e a União por danos morais coletivos por causa das falas consideradas ofensivas a alunos e professores.
O órgão pede R$ 5 milhões em caso de condenação. Os procuradores citam declarações que, segundo eles, são preconceituosas. Entre elas a de que "universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas", como disse o ministro ao jornal O Estado de S. Paulo sobre três instituições federais.
Perguntado sobre os questionamentos do MPF, o ministério disse que "toda manifestação democrática e pacífica é direito de qualquer cidadão", mas que condena "práticas de constrangimento" para que estudantes e professores participem dos atos "contra a vontade".
A pasta informou que, de quarta-feira até ontem de manhã, registrou 439 denúncias - 212 foram triadas e 190 teriam alguma referência aos atos. "A Ouvidoria irá analisar cada caso e encaminhar para os órgão de investigação competentes."
Competência
Nina Ranieri, professora da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), diz que o ministro não tem competência legal para esse tipo de ação. Segundo ela, ele estaria ferindo o direito de liberdade de expressão e manifestação dos alunos e professores e promovendo ingerência nas famílias e sistemas de ensino dos Estados e municípios, responsáveis pelo ensino público. "O comunicado não se sustenta. Não há fundamento jurídico que o dê competência ou direito para tal."
Nina questiona quais são os órgãos de investigação competente aos quais se refere ao MEC. "O que vai fazer com essas denúncias? Que tipo de denúncia receberam? Quem vai avaliar cada uma delas e a quem vai encaminhar?", questiona. A pasta não respondeu.
Veja também
Últimas notícias
Homem é preso suspeito de abusar sexualmente da própria filha em Maceió
Homem de 28 anos é morto a tiros no Cleto Marques Luz, em Maceió
Davi Davino Filho soma 34% entre primeiro e segundo votos para o Senado
Artistas representam Lagoa da Canoa em exposição regional de mestres e artesanato
Davi Davino Filho defende maioridade penal aos 14 anos contra aliciamento pelo tráfico
Ceci reúne apoiadores em arrastão na Branca de Atalaia ao lado de Arthur Lira e Alvinho
Vídeos e noticias mais lidas
Jovem de 24 anos é baleado na mão e suspeitos fogem em São Sebastião
Ajustes no texto adiam votação da MP que acaba com a chamada taxa das blusinhas
Prefeitura inscreve para a segunda Consulta Pública do Plano de Mobilidade Urbana
Confira o que abre e fecha em Alagoas no feriado desta quarta-feira (16)
