Em live, Bolsonaro dá recado a Mandetta: "Paciente pode trocar de médico"
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje, durante sua live no Facebook, que "médico não abandona paciente, mas paciente pode trocar de médico". Sem mencionar o ministro Luiz Henrique Mandetta, o presidente fez referência à frase que se tornou a resposta padrão do chefe da Saúde às perguntas sobre sua possível saída da pasta.
A insatisfação de Bolsonaro com o ministro se tornou notória há semanas, e boatos sobre a eventual saída de Mandetta se intensificaram há alguns dias após uma tensa reunião interministerial. Hoje, a CNN Brasil revelou conversa telefônica entre o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e o deputado federal Osmar Terra (MDB) em que ambos tratavam de uma possível demissão do ministro da Saúde.
Bolsonaro começou sua transmissão recusando-se a comentar o assunto que foi mais uma vez um dos mais comentados do dia: "Quem está esperando eu falar do Mandetta, do Osmar Terra e do Onyx pode passar para outra live. Não vai ter esse assunto aqui não".
Contudo, após defender mais uma vez o uso da hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com covid-19, afirmou: "Você tem todo o direito de trocar de médico, com todo respeito aos profissionais. Então repito: médico não abandona paciente, mas paciente pode abandonar médico".
Na semana passada, Mandetta já havia respondido a boatos sobre sua saída dizendo não ser "dono da verdade". "Estou simplesmente vendo um paciente e dizendo que esse é o melhor caminho. Mas é normal também o médico falar que o caso é de cirurgia, e o paciente querer ouvir uma segunda opinião", disse na ocasião. "Médico não abandona paciente, meu filho."
Sem se referir diretamente ao chefe da Saúde, Bolsonaro aproveitou para perguntar se o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que acabara de apresentar algumas ações do governo para combater os impactos econômicos da crise, já tinha trocado de médico alguma vez. Guimarães respondeu afirmativamente.
Combate à crise
Ações do governo federal para combater a crise decorrente da pandemia foram abordadas no começo da transmissão. Ao lado de Bolsonaro, o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, reiterou que cerca de 2,5 milhões de pessoas receberam hoje (9) a primeira parcela do auxílio emergencial de R$ 600. Na terça-feira (14), será feito o pagamento da primeira parcela para mais 3,5 milhões de pessoas.
A Secretaria de Comunicação publicou hoje, em suas redes sociais, uma campanha destinada a explicar que o auxílio emergencial a trabalhadores informais é pago pela administração federal, e não por governadores e prefeitos.
Ao comentar sobre o cadastro online dos beneficiados com o auxílio emergencial, Bolsonaro afirmou sem citar nomes que há sites de governos dos estados do Nordeste se apropriando da medida. "Teve [sic] dois estados do Nordeste, que eu não posso acusar os governadores, pode ser algo feito por uma pessoa qualquer... Mas, por coincidência, nos sites de dois dos estados mais pobres do Nordeste tá lá que o [auxílio emergencial] era do governo do estado tal. Isso é uma fraude, certo? Então não vou acusar o governador nem você [referindo-se ao presidente da Caixa, Pedro Guimarães] porque não temos prova. Mas isso é uma maneira de mostrar que o governador conseguiu os R$ 600."
Hidroxicloroquina e mais indiretas
Outros alvos preferenciais do presidente também receberam menção em sua fala. Ao defender o uso da hidroxicloroquina, retomou elogio ao cardiologista Roberto Kalil Filho, do hospital Sírio Libanês, que, infectado pelo novo coronavírus, admitiu fazer uso do medicamento. "Ontem mesmo eu havia conversado com o doutor Kalil, que diferentemente daquele outro cara, o outro colega, que é ligado ao governador, falou que usou e também ministrou a pacientes."
O "colega" mencionado é o infectologista David Uip, chefe do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, que havia se recusado a falar sobre o uso da substância em seu tratamento e é ligado ao governador João Doria (PSDB-SP), adversário político de Bolsonaro. O presidente ainda mostrou uma caixa do medicamento e exaltou: "Isso aqui não tem que ser político, isso aqui é vida!"
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