Libaneses protestam e exigem respostas sobre explosões
Mais de 60 pessoas continuam desaparecidas, enquanto a esperança de encontrar sobreviventes diminui.
Uma manifestação contra o governo do Líbano em Beirute neste sábado (8) foi interrompida por policiais especializados em conter protestos. Eles jogaram bombas de gás na direção dos manifestantes que criticava a forma como a administração pública tem gerenciado a megaexplosão que aconteceu no começo da semana.
Parte de Beirute foi devastada pela explosão, matando mais de 150 pessoas, enquanto cerca de 60 ainda estão desaparecidas.
Neste sábado, cerca de 5.000 pessoas se reuniram no centro de Beirute. Algumas delas jogaram pedras contra o prédio do congresso. A polícia entrou em ação quando os manifestantes tentaram ultrapassar uma barreira que bloqueava o acesso ao edifício do Parlamento.
Os manifestantes pediam a "queda do regime" e, nas faixas, chamavam o governo de assassino.
Dois dias após a visita histórica do presidente francês Emmanuel Macron, a atividade diplomática se intensifica em Beirute para organizar o apoio internacional ao país, na véspera de uma conferência de doadores.
Pelo quarto dia consecutivo, Beirute acordou ao som de vidro quebrado recolhido nas ruas pelos moradores e um exército de voluntários, equipados com vassouras e mobilizados desde o amanhecer.
Sem demora, vários países despacharam equipamentos médicos e sanitários, bem como hospitais de campanha.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) está preocupada com a saturação dos hospitais, já em situação complicada pela pandemia de coronavírus, escassez crônica de medicamentos e de equipamentos médicos.
Enquanto as autoridades estrangeiras se sucedem e a ajuda internacional chega, os governantes do Líbano tentam claramente tirar vantagem da situação, segundo o analista Nasser Yassin, do Instituto Issam Fares.
"O temor é que as autoridades aproveitem este desastre e a atenção árabe e internacional para se manter na superfície", disse.
Neste contexto, o líder do partido Kataeb, Samy Gemayel, anunciou neste sábado sua renúncia junto com outros dois deputados do histórico partido cristão após o desastre no porto, dizendo que havia chegado a hora de construir um "novo Líbano".
Sua renúncia acontece após uma decisão semelhante por dois outros parlamentares nesta semana.
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