Polícia

Corpo encontrado em cova rasa pode estar ligado a “tribunal do crime” no Litoral Norte de AL

As circunstâncias do crime e o tempo em que o cadáver permaneceu enterrado ainda serão esclarecidos por meio de laudos periciais

Por Lane Gois 20/03/2026 18h06 - Atualizado em 20/03/2026 18h06
Corpo encontrado em cova rasa pode estar ligado a “tribunal do crime” no Litoral Norte de AL
Corpo em decomposição é encontrado em cova rasa no Litoral Norte de Alagoas - Foto: Assessoria/PCAL

A Polícia Civil de Alagoas investiga se o corpo encontrado na tarde dessa quinta-feira (19), em uma área de mata na Fazenda Salema, zona rural de São Miguel dos Milagres, no Litoral Norte do estado, é vítima de um possível “tribunal do crime” e pode ter relação com um dos 18 casos de desaparecimento registrados na região desde 2024.

O cadáver foi localizado após denúncias que indicavam o ponto exato onde estaria enterrado. A vítima estava em uma cova rasa e já se encontrava em avançado estado de decomposição. Segundo as primeiras informações, o corpo vestia apenas uma peça íntima com estampa da franquia Harry Potter.

De acordo com o delegado Ronilson Medeiros, da Coordenação de Pessoas Desaparecidas (CODE), há indícios de que a vítima tenha sido julgada por integrantes do tráfico de drogas antes de ser executada. “O que temos até o momento é que houve um julgamento dessa pessoa e ela foi enterrada em cova rasa”, afirmou o delegado.

Ainda conforme a polícia, o crânio apresenta uma lesão possivelmente provocada por arma de fogo, mas a causa da morte só será confirmada após exames do Instituto Médico Legal (IML).

A suspeita é de que o corpo possa ser de Andreas Denicio Borges Barros, adolescente desaparecido desde o dia 27 de fevereiro, no Centro do município. Nas vestes encontradas, havia uma cueca e uma camisa que podem pertencer ao jovem. O pai dele já compareceu ao IML para coleta de material genético, e o resultado do exame deve ser divulgado nos próximos dias.

A Polícia Civil também apura a possibilidade de que o local funcione como um cemitério clandestino. Isso porque, segundo as investigações, ao menos 18 pessoas estão desaparecidas na região, número considerado elevado pelas autoridades.

Ainda de acordo com o delegado, há indícios de que as vítimas desses desaparecimentos tenham algum tipo de ligação com o tráfico de drogas, seja por envolvimento direto ou como usuários.

Equipes da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Instituto de Criminalística e do IML estiveram no local para os primeiros levantamentos e remoção do corpo. As circunstâncias do crime e o tempo em que o cadáver permaneceu enterrado ainda serão esclarecidos por meio de laudos periciais.




*Estagiário sob supervisão