Todos 19 desaparecidos na Rota dos Milagres têm ligação com crime organizado, diz SSP
Com apoio das polícias Civil e Militar, foram identificados vínculos diretos e indiretos com facções criminosas
Todos os 19 casos de desaparecimento registrados na região da Rota Ecológica dos Milagres, nos municípios de Porto de Pedras, São Miguel dos Milagres e Passo de Camaragibe, têm ligação direta ou indireta com o tráfico de drogas e o crime organizado. É o que aponta um levantamento da Secretaria de Estado da Segurança Pública de Alagoas (SSP/AL) divulgado nesta terça-feira (14). Os dados abrangem o período de 2022 a 2026. A onda de desaparecimentos tem assombrado a população.
De acordo com a SSP/AL, o trabalho de inteligência identificou que os desaparecidos possuem antecedentes criminais formais, vínculos ativos a organizações criminosas ou dívidas com o narcotráfico. As investigações em curso apontam para dinâmicas internas do crime organizado como fator determinante nas ocorrências: disputas territoriais entre facções rivais, cobranças por dívidas do narcotráfico, punições por suspeita de delação e transgressões aos códigos internos dos próprios grupos.
O secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, destacou que, embora nenhum corpo tenha sido localizado, duas hipóteses são igualmente consideradas pelas investigações. "Esses indivíduos podem ter optado pela fuga como forma de sobrevivência, rompendo qualquer vínculo rastreável para não expor sua localização a grupos rivais. Mas não descartamos a possibilidade de que sejam vítimas de ações violentas no contexto dessas disputas. O fato de não termos encontrado corpos não permite afirmar nem uma coisa nem outra", afirmou.
O levantamento, com apoio da Polícia Civil e da Diretoria de Inteligência da Polícia Militar, identificou a presença e a rivalidade de ao menos quatro grupos criminosos com atuação na região: a Tropa do Kebinho, vinculada ao Comando Vermelho; o Trem Bala do CV; o PCC (Primeiro Comando da Capital), facção rival; e a Tropa dos Crias, sediada em São José da Coroa Grande-PE e ligada ao PCC.
Dos 19 registros, 18 são homens e uma é mulher. A maioria é natural de São Miguel dos Milagres ou de localidades próximas. Os demais são oriundos de outros municípios alagoanos e de estados como Sergipe e Pernambuco.
O levantamento mostra ainda um dado central para a gestão do turismo regional: nenhum dos desaparecidos é turista, visitante ou trabalhador do setor. As ocorrências estão integralmente associadas a dinâmicas do crime organizado, sem qualquer evidência de vitimização vinculada ao fluxo turístico da Rota Ecológica dos Milagres.
Para o secretário de Segurança Pública, o dado não é trivial — e vai além da segurança do turista. "Alagoas é um estado acolhedor e seguro para quem vem visitar, trabalhar e conhecer nossas belezas. Diariamente, homens e mulheres da segurança pública trabalham com dedicação para reduzir cada vez mais os índices de criminalidade", disse.
"E os nossos dados comprovam esse avanço. A Rota dos Milagres pode e deve continuar sendo um destino tranquilo para turistas de todo o Brasil e do mundo. E nenhum desses casos está sendo desprezado: desde o primeiro relato, estamos apurando. A Polícia Civil tem se empenhado para solucionar cada um deles e dar uma resposta às famílias. Isso é uma obrigação nossa e não vamos abrir mão dela", finaliza Flávio Saraiva.
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