Política

Com Trump sob pressão, EUA renova Câmara e um terço do Senado

Eleições de meio de mandato ocorrem em 3 de novembro, em meio à queda de popularidade de Donald Trump e à insatisfação com a economia

Por 7Segundos com Metrópoles 02/11/2026 09h09
Com Trump sob pressão, EUA renova Câmara e um terço do Senado
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos - Foto: Reprodução/Youtube/The White House

Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso em uma disputa que pode alterar o equilíbrio de forças em Washington e impor novos obstáculos ao governo de Donald Trump.

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.

O pleito ocorre em um momento de desgaste político do presidente republicano. A insatisfação com o custo de vida, a condução da economia, as tarifas comerciais e os efeitos da guerra contra o Irã pressionam a Casa Branca às vésperas da votação.

Com a maioria republicana nas duas Casas por uma margem estreita, os democratas enxergam uma oportunidade de recuperar espaço no Legislativo.

Embora Trump não esteja concorrendo à Presidência, o resultado terá consequências diretas para a segunda metade de seu mandato, que termina em janeiro de 2029. Uma mudança na composição do Congresso pode dificultar a aprovação de projetos do governo, ampliar a fiscalização sobre as decisões do Executivo e limitar a capacidade de articulação política do presidente.

O que são as midterms?

As midterms são realizadas a cada quatro anos, sempre na metade do mandato presidencial norte-americano.

O sistema prevê eleições legislativas a cada dois anos, com a renovação integral da Câmara dos Representantes e de aproximadamente um terço do Senado.

Na Câmara, os 435 deputados têm mandatos de dois anos e representam distritos eleitorais distribuídos pelos 50 estados, de acordo com o tamanho da população.

Para controlar a Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 cadeiras.

O Senado, por sua vez, tem 100 integrantes, dois representantes por estado, independentemente da quantidade de habitantes.

Os mandatos são de seis anos, com renovação escalonada.

Os parlamentares eleitos tomarão posse em janeiro de 2027, quando começa a legislatura do 120º Congresso.

Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos não contam com um órgão eleitoral nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Cada estado organiza e contabiliza os próprios votos, seguindo regras locais.

A votação antecipada e pelo correio também fazem parte do processo eleitoral.

Trump chega às eleições sob pressão

A popularidade de Trump é um dos principais fatores que influenciam o cenário eleitoral. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 66% dos norte-americanos desaprovam a administração republicana, enquanto 31% aprovam o desempenho do presidente.

O levantamento também identificou que a insatisfação está concentrada principalmente na condução da economia e no aumento do custo de vida. O resultado representa um dos piores índices de aprovação registrados para Trump nos dois mandatos.

A política comercial do presidente também se tornou um ponto de desgaste. Desde o retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, o atual mandatário ampliou o uso de tarifas sobre produtos importados, sob o argumento de proteger a indústria norte-americana e fortalecer a economia doméstica.

As medidas, no entanto, provocaram questionamentos judiciais, reações de parceiros comerciais e críticas de setores empresariais. O aumento dos custos de importação também alimentou o debate sobre o impacto das tarifas nos preços pagos pelos consumidores.

A insatisfação econômica se soma à alta dos combustíveis e às consequências do conflito envolvendo o Irã. O encarecimento da energia pressiona os gastos com transporte, frete e produtos essenciais, ampliando o peso do custo de vida na decisão dos eleitores.

Diante do cenário nitidamente conturbado, Trump tem intensificado a participação em eventos de campanha para mobilizar a base republicana e evitar que o partido perca o controle do Congresso.

Democratas avançam na Câmara, mas Senado segue disputado

Os democratas têm vantagem na disputa pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos mantêm uma maioria apertada, com 218 cadeiras contra 214 da oposição. Pesquisa Reuters/Ipsos indica preferência de 47% dos eleitores por candidatos democratas, ante 35% dos republicanos.

Projeções também apontam vantagem da oposição, que pode conquistar entre 220 e 236 cadeiras. O resultado, porém, dependerá de disputas acirradas em distritos eleitorais estratégicos.

A disputa pelo Senado é mais desafiadora para os democratas, que precisam conquistar quatro cadeiras para alcançar a maioria. Atualmente, os republicanos têm 53 assentos, contra 47 do bloco democrata.

A disputa pelo Congresso também envolve o redesenho dos distritos eleitorais para favorecer republicanos ou democratas. Texas e Califórnia lideraram movimentos opostos, seguidos por outros estados que alteraram seus mapas eleitorais. As mudanças podem influenciar diretamente a distribuição das cadeiras na Câmara.

O que muda para Trump se os republicanos perderem?

Uma eventual vitória democrata na Câmara pode comprometer a capacidade de Trump de aprovar novas medidas legislativas. Com o controle da Casa, a oposição passa a comandar a pauta de votações e as comissões, além de ampliar os mecanismos de fiscalização sobre o governo.

Isso também abre espaço para investigações parlamentares sobre decisões da administração, incluindo a política tarifária, a execução de medidas judiciais e a condução de operações militares no exterior.

No Senado, uma eventual mudança de maioria teria consequências adicionais. A Casa é responsável por confirmar indicações para cargos de alto escalão do governo, embaixadores e integrantes do Judiciário federal. Uma maioria democrata poderia dificultar essas aprovações e impor novas condições às escolhas presidenciais.

O resultado das midterms, portanto, não determina a permanência de Trump na Presidência, mas pode redefinir os limites políticos de sua administração.