Justiça

MP denuncia seis PMs por tortura em caso que resultou em morte em Santana do Ipanema

Laudo do IML aponta asfixia causada por lesões no pescoço e no tórax durante ação policial

Por 7Segundos 09/01/2026 17h05 - Atualizado em 09/01/2026 17h05
MP denuncia seis PMs por tortura em caso que resultou em morte em Santana do Ipanema
Caso ocorreu durante ação policial em Santana do Ipanema e resultou na morte de um homem em julho de 2025 - Foto: Reprodução

O Ministério Público de Alagoas (MPAL) denunciou seis policiais militares pelo crime de tortura, em um caso que resultou na morte de Rogério Almir dos Santos Silva, ocorrida no dia 9 de julho de 2025, no município de Santana do Ipanema, no Sertão do estado.

Segundo a denúncia, os fatos ocorreram durante uma ação da guarnição COPES/CAATINGA em uma residência. Além de Rogério Almir, outro homem que estava no local também teria sido submetido a agressões por parte dos policiais.

Foram denunciados os militares Ulisses de Souza, Lucas Cruz, José Jeferson Pereira, Pablo Victor, Renan Vitor e John Felipe Rocha. O MPAL solicitou ainda o afastamento imediato dos seis das atividades operacionais nas ruas, como forma de garantir a ordem pública enquanto o processo tramita.

De acordo com a versão apresentada pelos policiais, a vítima teria passado mal e caído de uma calçada. Rogério Almir chegou a ser levado para uma unidade de saúde, mas não resistiu.

No entanto, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou uma causa distinta para a morte. Conforme o documento, Rogério morreu por asfixia após aspirar o próprio sangue, proveniente de lesões internas provocadas por traumas no pescoço e no tórax. A perícia concluiu que as lesões são compatíveis com prática de tortura.

Durante a análise do local, peritos também encontraram manchas de sangue humano no piso da cozinha do imóvel, que apresentava sinais de arrombamento e desorganização.

Ainda segundo o MPAL, a ação policial teria como objetivo obter informações relacionadas ao tráfico de drogas. No imóvel, foram apreendidas 200 pedras de crack e uma nota de R$ 20. Outras duas pessoas relataram ter sofrido agressões durante a ocorrência.

Dois policiais que atuavam como motoristas das viaturas não foram incluídos na denúncia, já que não entraram na residência e não há indícios de participação direta nos crimes. Um outro homem citado inicialmente também não foi considerado vítima por falta de provas.