MPF abre investigação sobre possíveis torturas no BBB 26 após desmaio de participante alagoana em prova
Rafaella Jaqueira perdeu a consciência após mais de 100 horas no “Quarto Branco”
O Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria da República no Rio de Janeiro, instaurou um inquérito civil para analisar denúncias de possíveis práticas de tortura psicológica e tratamento degradante dentro do reality show Big Brother Brasil 26. A apuração foi iniciada após representações que apontam situações consideradas perigosas para a saúde física e mental dos participantes.
Um dos episódios citados envolve a participante alagoana Rafaella Jaqueira, que chegou a desmaiar durante uma das dinâmicas do programa. O caso chamou atenção e passou a integrar o conjunto de fatos que levaram à abertura da investigação.
Outro relato apresentado ao Ministério Público menciona o participante Henri Castelli, que teria apresentado episódios convulsivos durante uma prova de resistência. Segundo a denúncia encaminhada ao órgão, as condições impostas pela produção poderiam expor os competidores a situações de desgaste extremo. Também foi citado um episódio em que o participante Breno teria permanecido isolado em uma área externa da casa.
Entre os pontos que estão sendo analisados pelo MPF está a dinâmica chamada “Quarto Branco”, introduzida nesta edição do programa. A atividade consiste em manter participantes confinados em um ambiente totalmente branco, sem janelas e isolado do restante da casa. No centro do local há um botão vermelho, que pode ser acionado caso o competidor decida encerrar sua participação na prova.
A dinâmica foi alvo de críticas da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que encaminhou uma carta aberta ao Ministério Público Federal manifestando preocupação com o formato da atividade.
Foi durante essa prova que Rafaella Jaqueira passou mal. De acordo com informações apresentadas ao MPF, a alagoana teria permanecido mais de 100 horas no ambiente antes de desmaiar, em janeiro de 2026. O relato também aponta que a participante precisou permanecer de pé sobre um pedestal de diâmetro bastante reduzido durante parte do desafio.
Para a comissão, submeter pessoas a condições que possam colocar em risco sua integridade física ou psicológica, ainda que em um programa de entretenimento, pode configurar afronta à dignidade humana.
Ao determinar a abertura do procedimento, o Ministério Público Federal ressaltou que a liberdade de produção das emissoras não pode ser interpretada como autorização para desrespeitar direitos fundamentais.
O órgão também destacou que as emissoras de televisão operam por meio de concessão pública e, por isso, devem observar princípios constitucionais relacionados aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Como primeira providência da investigação, o MPF solicitou que a TV Globo encaminhe esclarecimentos detalhados sobre o funcionamento das dinâmicas questionadas, além dos protocolos adotados para preservar a saúde e a segurança dos participantes do reality show.
Até o momento, a emissora não emitiu nota oficial sobre o inquérito aberto pelo MPF.
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