BC confirma sigilo de 8 anos sobre documentos da liquidação do Banco Master
Autarquia afirma que prazo segue regra padrão para instituições do segmento 3 e abrange propostas de regimes de resolução
O Banco Central impôs sigilo de oito anos a documentos relacionados à liquidação do Banco Master, medida que restringe o acesso público a informações sobre o processo conduzido pela autoridade monetária.
Segundo a autoridade monetária, a classificação abrange documentos que tratam de propostas de decretação de regimes de resolução, como intervenções e liquidações, e segue um regime uniforme. No caso de instituições enquadradas no chamado segmento 3, como o conglomerado Master, o prazo de restrição de acesso é de oito anos.
O Banco Central informou que o objetivo da medida é proteger informações sensíveis ligadas à supervisão, fiscalização e estabilidade do sistema financeiro.
A autarquia argumenta que a divulgação antecipada desses dados pode gerar riscos ao ambiente econômico e comprometer análises e investigações em andamento.
Na prática, a restrição limita o acesso da sociedade, de investidores e de analistas aos detalhes que embasaram a decisão de liquidação da instituição.
Possível delação de Vorcaro
O BRB (Banco Regional de Brasília) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master — determine o ressarcimento integral dos prejuízos causados ao banco público por causa do aporte de R$ 12 bilhões em falsas carteiras de crédito consignado da autarquia.
A Presidência do BRB enviou ofício ao ministro André Mendonça na última quinta-feira (2) com a solicitação. Não há a definição de um valor específico no pedido. Nas últimas semanas, integrantes do banco se reuniram com investigadores do caso e manifestaram a eles a preocupação com a recuperação desses valores.
A delação de Vorcaro ainda está sob negociação com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e com a Polícia Federal. Sua defesa está definindo o conjunto de assuntos a ser abordado, para depois disso começar a negociar tempo de pena e ressarcimento de valores. O acordo será submetido à homologação do ministro André Mendonça.
Entenda o caso
O Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, entrou no radar após crescimento acelerado no mercado financeiro. A instituição oferecia CDBs com rentabilidade acima da média, estratégia associada a maior exposição a risco.
Dados das investigações apontam um cenário crítico no fim de 2025: cerca de R$ 80 bilhões em ativos diante de caixa de R$ 4 milhões. Há suspeitas de uso de empresas de fachada, triangulação por fundos e carteiras fictícias.
Relatórios indicam desvio de aproximadamente R$ 11,5 bilhões entre 2023 e 2024. Apurações da Polícia Federal e do Banco Central também apontam impacto institucional, além do problema financeiro.
Diante do quadro, o Banco Central decretou liquidação extrajudicial em 18 de novembro, citando “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional.
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