PF e PGR devem decidir nesta semana se dão seguimento à delação de Vorcaro
Nova proposta do dono do Banco Master está sob análise; investigadores cobram provas, informações inéditas e devolução de recursos
A PF (Polícia Federal) e a PGR (Procuradoria-Geral da República) devem decidir nesta semana se dão continuidade às negociações para um acordo de colaboração premiada com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A nova proposta apresentada pela defesa do ex-banqueiro está em análise por investigadores e membros da PGR, que avaliam se o material reúne elementos suficientes para justificar o avanço das tratativas. Como mostrou a CNN Brasil, a expectativa entre pessoas próximas a Vorcaro é de que a versão reformulada supere as resistências que levaram à rejeição da primeira tentativa de acordo.
Delegados envolvidos na investigação indicam que o documento passou a trazer mais nomes, datas, detalhes e anexos complementares. O material também aprofunda relatos sobre a relação do empresário com autoridades dos Três Poderes e lideranças políticas.
Como mostrou a CNN, a nova versão menciona integrantes da cúpula do Congresso, ministros do governo Lula, lideranças da oposição e um ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).
Apesar disso, investigadores afirmam que o material ainda passará por uma análise detalhada para verificar a existência de provas que sustentem os relatos apresentados e para identificar eventuais omissões.
A preocupação decorre da primeira proposta apresentada por Vorcaro, que foi rejeitada pela PF e recebeu críticas da PGR por não trazer informações consideradas relevantes para o avanço das investigações.
Na avaliação dos investigadores, a colaboração também precisará apresentar fatos inéditos capazes de ampliar o alcance do que já foi apurado a partir das investigações e da análise dos celulares apreendidos com o empresário.
Outro fator considerado relevante é a disposição de Vorcaro em devolver recursos. Integrantes da investigação avaliam que um eventual acordo de colaboração dificilmente avançará sem o compromisso de ressarcimento de valores expressivos. Investigadores mencionam cifras que poderiam chegar à casa dos R$ 60 bilhões.
Caso a PF e a PGR considerem que há elementos suficientes para prosseguir com as negociações, Vorcaro poderá ser chamado para prestar novos depoimentos, esclarecer pontos da proposta e apresentar documentos que comprovem as informações fornecidas.
Mesmo que haja consenso entre investigadores e procuradores, um eventual acordo ainda precisará ser homologado pelo ministro André Mendonça, do STF, relator das investigações relacionadas ao Banco Master na Corte.
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